Artigo 333 – As competências da próxima década – parte III

“Quer ser inovador? Desenvolva essa competência”

Vamos à segunda competência que mais será valorizada na próxima década, segundo a robusta pesquisa publicada pelo Fórum Econômico Mundial – o chamado “Pensamento crítico”. Já tratei dela aqui neste espaço muito recentemente. Aliás, foi a repercussão desses dois artigos (328 e 329, no Blog marceloveras.com) que me fez decidir escrever esta série completa com todas as 10 competências do referido estudo.

Sou fã dessa competência e, como sempre digo, “em terra de cego, quem tem um olho é Rei”. Ela é tão, mas tão rara, que quem a desenvolve minimamente já deixa 50% dos seus concorrentes no mercado comendo poeira. Como já explorei aqui, o desenvolvimento dessa competência é absolutamente negligenciado pelas escolas, em todos os níveis. Estimular o debate, a crítica, os questionamentos do status das coisas (por que elas são assim e não assado?) e estimular as pessoas a colocarem em cheque os modelos e padrões vigentes, definitivamente não está na agenda das escolas e nem das empresas, com raríssimas exceções.

Por outro lado, o mundo do trabalho pede muito essa atitude. Nas duas últimas pesquisas do Fórum Econômico Mundial, ela pulou de quarto para segundo lugar na lista das mais demandadas. Precisa dizer mais alguma coisa? Sim, precisa. E é o seguinte: Você precisa desenvolver essa competência se quiser ser relevante para o mundo do trabalho na próxima década. A ausência dessa competência trava o potencial criativo e inovador, transforma profissionais em meros executores, sem capacidade de deixar grandes legados ou promover muitas mudanças no seu ambiente de trabalho. Já com essa competência na sua “mochila”, você será capaz de promover inovações e novas soluções para problemas antigos, atuais e futuros. E isso transformará você em um profissional diferenciado e altamente requisitado.

Para desenvolver o pensamento crítico é necessário mudar algumas posturas logo de cara. A primeira delas é não aceitar as coisas que lhe são colocadas de forma gratuita e passiva. A brincadeira começa por aí. Ao ler uma notícia na internet, um post de um amigo nas redes sociais ou qualquer outra informação, a primeira coisa a se perguntar é: Isso é confiável? Que base na verdade essa informação tem? Depois, outra pergunta igualmente importante: Qual é o ponto de vista oposto? Qual é a visão do outro lado dessa história? Essas duas perguntas, enquanto não respondidas, não deveriam lhe deixar emitir um juízo ou uma opinião a respeito. O que mais se vê hoje é o oposto. Pessoas que “compram” uma informação como 100% verdadeira e já vão emitindo opiniões e juízos.

Outro ponto importante e que pode alavancar muito o desenvolvimento dessa competência é o de se criar o hábito de conversar mais com crianças e/ou pessoas bem mais jovens do que você, principalmente os chamados nativos digitais. Aliás, está no DNA das crianças e dessa nova geração perguntar a todo momento “Por quê?” e “Por que não?”, não é mesmo? Pois bem, se essa característica tem levado essa nova geração a criar soluções altamente inovadoras para problemas que as gerações anteriores não conseguiram. Basta olhar para as transformações que o mundo atual experimenta. Parte delas vem exatamente daí.

Pois bem, mãos à obra, pensamento crítico na cabeça e boas inovações. O mundo está lhe convocando. Até o próximo!