Artigo 335 – As competências da próxima década – parte V

“Gestão de pessoas – a quarta da lista”

Desde a revolução agrícola, aproximadamente 14.000 anos atrás, quando deixamos de ser nômades e passamos a nos fixar na terra e viver em comunidades, o mundo sofreu grandes transformações. A religiões monoteístas chegaram e criaram a máxima de que o homem é um servo de Deus e que alguns homens (reis e membros da igreja) eram a única ponte entre nós e essa força maior. Em nome de Deus (cada um com o seu), fizemos e ainda fazemos coisas das mais questionáveis ao longo da história, mas, sempre, com a justificativa de que o homem não é o diretor da peça, mas, apenas, um ator com um roteiro já definido.

Depois da revolução industrial e com a ascensão recente da ciência e da tecnologia, passamos para uma nova fase – a de buscar novos significados para a vida, novas formas de viver mais, curar doenças e tornar a vida mais feliz. Hoje, em um momento onde guerras, doenças e fome, comparado com os séculos de sociedade agrícola e industrial, têm menor impacto, surge a nova “constituição” mundial, que poderia até ser praticamente chamada de religião – o humanismo.

O homem hoje está no centro do poder. Depois que descobrimos que a ciência é capaz de muito mais coisas do que qualquer um poderia imaginar, as entidades superiores têm perdido certo protagonismo, e o homem pode, enfim, assumir o comando do seu próprio destino. Felicidade e imortalidade estão na ordem do dia e na agenda do homem moderno.

No mundo do trabalho, não é diferente. As empresas se tocaram, depois de muito tempo, que não adianta ter as melhores instalações, máquinas e softwares. Sem pessoas competentes, motivadas e engajadas, tudo vira pó, mais cedo ou mais tarde. Os prêmios “Melhor empresa para se trabalhar” pipocam por aí. Muitas querem ganhar, até para mostrar aos jovens talentos que trabalhar ali é mais legal do que em qualquer outro lugar. Uma vez, tive acesso às perguntas feitas em uma dessas pesquisas e constatei que 80% das perguntas estão alicerçadas não em remuneração, benefícios e promoções, mas em clima de trabalho, relações com colegas e, principalmente, no papel do chefe e dos líderes da empresa. Portanto, não é surpresa que uma das 10 competências que mais serão valorizadas na próxima década seja exatamente esta – a gestão de pessoas. Quem souber como atrair, reter, motivar e engajar bons profissionais, será protagonista na próxima década.

Trata-se de uma competência de gestão bem complexa e que depende de outras competências técnicas e comportamentais. Quem acompanha a minha coluna semanal sabe que tenho sido muito crítico ao perfil médio dos líderes. Escrevo muito sobre o tema, há anos. E deixo aqui alguns textos nos quais me aprofundei em tratar dessa competência. No Blog (www.marceloveras.com) há duas séries, já publicadas aqui, onde coloquei uma lente mais forte em dois temas ligados a esta competência. Caso queira se aprofundar, use a ferramenta de busca e encontre os artigos 49 a 57 e 207 a 213.

Fora isso, recomendo fortemente que busque mais informações sobre esta competência e encontre formas de vivenciar a gestão de pessoas. Se houver alguém que você conheça (na sua empresa ou fora dela) que seja reconhecidamente um bom gestor de pessoas, transforme-o em um mentor (ou mentora) e aprende com ele (ela). Não há aula melhor sobre esta competência do que vê-la na prática e aprender com quem sabe. Mãos à obra! Até o próximo!