Artigo 336 – As competências da próxima década – parte VI

“Empatia – a competência que mudaria o mundo”

A definição de empatia ganhou visibilidade na última década. Creio que nunca se falou tanto sobre esta importante Competência humana. Há 3 anos, quando fiz uma atualização mais estrutural no meu modelo de competências, decidi, sem dúvida alguma, “promover” a empatia ao status de competência. Antes, e até hoje em muitos modelos, ela é simplesmente uma das habilidades de algumas competências, tais como relacionamento interpessoal. De tanto ouvir líderes de equipes, gestores e profissionais que sofrem diariamente por falta dela em seus chefes, pares e subordinados, decidi fazer essa promoção. E fico muito feliz ao ver que em uma das maiores pesquisas mundiais, ela também apareceu com status de competência.  E tem mais, entre as cinco mais relevantes para a próxima década. Não fiquei nem um pouco surpreso e isso só endossa ainda mais o nosso estudo de 11 anos. Ela faz parte de um grupo seleto de competências que, de vez em quando, faço questão de retomar, mesmo que, às vezes, batendo na mesma tecla.

Quando falo de “Empatia” nas minhas aulas e palestras, sempre digo que essa é a competência que mais tem poder transformador. Ah se ela fosse democratizada e todos a desenvolvessem! O mundo seria muito, muito melhor. A capacidade de se colocar no lugar do outro, entender e sua perspectiva, sentir a sua dor, a sua alegria, e se colocar à disposição para ajudar, são os ingredientes dessa competência que, repito, mudaria o mundo em vários aspectos.

Como ela faz parte de um grupo de competências comportamentais, dificilmente alguém consegue desenvolvê-la lendo livros técnicos, assistindo a palestras ou aulas. Ela precisa ser praticada, compreendida e incorporada ao nosso conjunto de valores e crenças. Além disso, para que a motivação de desenvolvê-la venha com força, precisamos também acreditar no seu poder de alavancagem de carreira. Já defendo o poder dessa competência há anos, mas Adam Grant, no seu brilhante livro chamado “Dar e Receber” prova, quase matematicamente, que as pessoas que possuem essa competência vão mais longe na carreira. Se você não conhece esse estudo, recomendo! Ele classifica as pessoas em três grupos: Os doadores, os tomadores e os compensadores. Com uma argumentação simples, clara e convicta, prova que os doadores vão mais longe. E a empatia é uma competência básica do estilo que mais cresce profissionalmente.

Pois veja, caro leitor, há 11 anos falo dessa competência aqui. E a maior pesquisa mundial a coloca em 5o lugar dentre as competências que mais serão valorizadas na próxima década. O que mais você precisa? Portanto, comece já a estudá-la, ler mais sobre ela, buscar pessoas que a possuem bem desenvolvida e aprender com elas e, principalmente, pesquise atividades que possam lhe colocar mais próximo desta competência tão fantástica e impulsionadora. Olha à sua volta e busque experiências que possam lhe colocar no lugar das pessoas com as quais você convive. “Calce os sapatos de outros”, tente entender o porquê do sentimento dos outros (antes de julgar), tente se colocar no lugar e sentir o mesmo (ou próximo). Se coloque mais à disposição dos que estão ao seu redor. Isso é empatia! Fácil e simples no papel, muito desafiante na prática, porém, extremamente compensadora. E não sou eu apenas que estou dizendo, mas o mundo do trabalho. Até o próximo!