Artigo 337 – As competências da próxima década – parte VII

“A inteligência das inteligências”

Em sexto lugar na lista das 10 competências que mais serão valorizadas na próxima década, quem será? Ela mesma, a Inteligência Emocional. Conceito relativamente recente, pelo menos no mundo do trabalho e da Educação. Bem recente, se compararmos com as décadas (e séculos) onde a capacidade de retenção e memorização de conhecimentos era sinônimo de inteligência.

Lembro-me bem do tempo em que se media a inteligência de uma pessoa quase que exclusivamente por um teste de Q.I. (Quociente de Inteligência). Um teste difícil, padrão e que resulta em um número que mede a inteligência. Pois bem, sem sombra de dúvidas esse método e seus resultado demonstram uma maior capacidade de lidar com questões de memorização, associação e lógica. Ou seja, quem tem alto QI tem sim maior probabilidade de se dar melhor em áreas científicas e de pesquisa, na minha visão.

Porém, o mundo do trabalho é mais amplo (bem mais amplo) do que áreas de pesquisa e desenvolvimento. Estimo que mais de 80% das pessoas trabalham com pessoas e para pessoas. Então, para que serve um alto Q.I. se eu não sei lidar com pessoas, se não sei trabalhar em equipe, se não tenho equilíbrio emocional, empatia ou comprometimento? Na verdade, serve para muito pouco, para não dizer nada. Pesquisas recentes mostram que a relação entre Q.I. e sucesso profissional não é linear.

Quem não conhece alguém que era o melhor aluno da sala, tirava nota 10 em tudo, mas a carreira não decola? E o contrário? Quem não conhece alguém que nem era o melhor da sala, mas que tinha outras características como bom relacionamento, empatia e se deu muito bem na carreira que escolheu? Na verdade, está provado que o termo “inteligência” precisa de um complemento e, portanto, não se define por sim só. É como se este termo fosse um verbo transitivo, o seja, que precisa de um complemento para ter algum sentido.  Ou seja, o conceito de inteligência não pode ser definido para um número e ponto final.

Pois bem, como não existe um consenso sobre o nome e as habilidades de todas as competências, não será incomum você encontrar um modelo que não a contemple, pelo menos nominalmente. No meu caso, ela não aparece (com este nome) nas 27 competências que mapeei. Na minha visão esse termo engloba um conjunto de competências que, com frequência, faço questão de retomar aqui. Equilíbrio emocional, relacionamento interpessoal e empatia estão entre elas. Na verdade, nomenclaturas não importam muito. O que importa mesmo é que esta competência (ou conjunto de competências que a definem) é muito importante e precisa ser desenvolvida. O mundo precisa e precisará de pessoas menos “inteligentes” e mais humanas, mais empáticas, mais equilibradas emocionalmente, com mais senso de colaboração e partilha. O conceito de sabedoria está sendo redefinido, principalmente em um mundo com questões seríssimas a serem resolvidas no futuro próximo.

Portanto saiba que, nesta próxima década, as pessoas serão mais valorizadas pela sua capacidade de serem humanas do que pelo resto. Raciocínios e cálculos matemáticos ficarão por conta dos computadores, mas o grande diferencial do ser humano será “ser humano”. Até o próximo!