Artigo 11 – Competências Técnicas

Nem sempre nos preparamos para uma guerra com as armas corretas”
por Marcelo Veras | 31 de mar de 2012

Hoje vou discutir o primeiro grupo de competências que são exigidas de um profissional de sucesso: as competências técnicas. O SABER.

Cada profissão tem as suas necessidades de conhecimentos. Um mestre de obras precisa de determinados conhecimentos técnicos para exercer corretamente a sua profissão. Um dentista e um executivo da área financeira também. Tais conhecimentos são bem definidos em cada profissão e as escolas de primeira linha os desenvolvem de maneira relativamente satisfatória. Digo isso porque, independente da escola, o desenvolvimento destas competências depende, fundamentalmente, do aprendiz. No fim, “não é (somente) a escola que faz o aluno”. Tem muita gente incompetente no mercado que foi formada em ótimas escolas. E vice-versa. Você sabe disso.

Algumas pessoas conseguem desenvolver tais conhecimentos de forma mais ou menos independente. Uns precisam de aulas, professor, colegas de classe, textos, provas etc. Outros são quase autodidatas e aprendem tudo sozinhos, lendo, ouvindo, observando. Isso não importa muito. É claro que, na maioria dos casos, a necessidade de comprovação acadêmica (diplomas, certificados) exige que as pessoas cursem algum tipo de educação formal. Mas o fato é que, as competências técnicas se desenvolvem quando a gente estuda e prova que sabe usar. Atualmente, quanto mais conhecimento técnico, maiores as chances de se desempenhar um determinado trabalho com um nível de excelência (técnica) maior.

O nível de concorrência atual no mercado tem forçado as pessoas a algo que, como educador, vejo com bons olhos, mas tenho algumas ressalvas. Hoje, ter um curso de graduação concluído, não é mais um grande diferencial. Em determinados casos, ter uma pós-graduação ou um MBA também não. Conheço várias pessoas que já estão na sua segunda ou terceira pós-graduação, como forma, às vezes desesperada, de se diferenciar dos seus pares na luta pelas poucas vagas hierarquia acima.

Não parar de estudar nunca é uma decisão muito sábia. Tudo tem mudado muito rápido e a atualização constante é indispensável. O problema, que tentei deixar como pista na frase de abertura deste artigo, é que nem sempre as pessoas estão fazendo os investimentos certos e nas coisas certas. Vejo claramente no mercado profissionais que chamo de “mancos”, muito bons em algumas competências técnicas e muito ruins em outras. A causa não é necessariamente incompetência ou preguiça, mas sim, ignorância. A maioria das pessoas investe muito tempo e dinheiro acrescentando linhas de cursos nos seus currículos com competências óbvias em suas áreas, mas se esquece de investir em algumas competências que podem realmente diferenciar um profissional dos seus pares e lhe dar uma maior competitividade.

Fugindo um pouco da estrutura de texto corrido, vou deixar abaixo, de forma bem simples, o nome, a importância para a carreira e algumas formas de desenvolvimento de algumas competências técnicas que estão sendo, digamos, esquecidas por um grande número de pessoas atualmente no mercado.

Raciocínio Analítico: Capacidade de extrair de um conjunto de informações ou fatos o que é relevante e pertinente.

Importância: Um profissional com esta competência não se perde na overdose de informação que existe hoje e se concentra naquilo que pode ser útil e eficaz.

Algumas ferramentas para se desenvolver: Muita leitura e interpretação de textos. Estudos de caso.

Raciocínio Crítico: Competência de compreender o passado para explicar o presente e projetar o futuro.

Importância: Um profissional com esta competência sabe identificar o momento histórico de cada fenômeno que está analisando e faz inferências com mais qualidade.

Algumas ferramentas para se desenvolver: Leitura e análise da história da humanidade, do Brasil e da sua área.

Raciocínio Lógico: Capacidade de associar eventos e quantificar a associação. O grande diferencial dos engenheiros, que dominam os cargos de liderança nas empresas.

Importância: Um profissional com esta competência consegue identificar relações de causa e efeito entre decisões, analisar melhor riscos, gerenciar processos de forma mais eficiente e ter uma visão mais ampliada dos fatos.

Ferramenta para se desenvolver: Curso de lógica. Na minha humilde visão, todos os profissionais do mundo dos negócios deveriam estudar lógica.

Eu destaquei estas três de forma mais detalhada, mas quero deixar aqui a minha crítica aos profissionais que ainda têm deficiências em duas competências e convivem com elas: língua portuguesa e língua inglesa. A primeira porque é a nossa língua e todos deveriam dominá-la. E a segunda, porque é a língua universal do mundo dos negócios e nenhum executivo ou empresário moderno deveria sossegar enquanto não fosse fluente.

Espero tê-lo convencido da importância de algumas competências que são pouco desenvolvidas hoje nas escolas. Se não, assumo a incompetência dos meus argumentos. Se sim, reveja imediatamente os seus investimentos em competências técnicas. E quando for escolher um curso ou escola, procure aquele(a) que consiga trabalhar o desenvolvimento de competências técnicas de forma mais equilibrada e ampla. Uma escola com projeto pedagógico e métodos inovadores, que o exponha ao desenvolvimento dos raciocínios citados neste artigo.

por Marcelo Veras
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