Artigo 123 – Pessoas que só sabem pedir

“moeda”
por Marcelo Veras | 12 de ago de 2013

"Quem não deposita antes, não pode querer sacar quando precisar” 

Já escrevi uma série inteira de artigos, há quase dois anos, sobre uma das mais importantes competências empresariais do mundo atual – Relacionamento interpessoal e Network Profissional. Se o caro leitor quiser ler ou reler, posso enviar todos os sete textos sobre o assunto, que aliás foram os mais comentados desde que comecei a escrever neste espaço. Tenho defendido com muita convicção que a vida e os relacionamentos entre pessoas não passam de trocas. Isso mesmo, trocas. As pessoas fazem tudo na vida esperando algo em troca, nem que seja em alguma muito particular e diferente da que usou para dar. 

No caso dos relacionamentos profissionais, isso fica muito mais evidente. As pessoas ajudam e criam oportunidades para quem elas acham que merecem. E, via de regra, os merecedores são pessoas que algum dia ajudaram quem hoje pode os ajudar. Não tem conversa. Assim é e assim sempre foi. Pode analisar, com calma e racionalidade, os 4.000 anos de história que estão registrados em livros, filmes, documentários e séries. É explícito que as relações profissionais, para o bem ou para o mal, são trocas. As pessoas se ajudam ou apoiam projetos umas das outras esperando que algum dia o retorno venha. E, quer saber, isso é absolutamente legítimo, embora muitos achem e defendam que a gente deveria ajudar os outros sem esperar nada em troca. Isso é lindo no papel ou no discurso, mas na prática não passa de demagogia. Respeito quem pensa assim, mas tenho observado há anos os relacionamentos profissionais e garanto que o esforço das pessoas para ajudarem umas as outras é proporcional ao que já tiveram de apoio no passado ou enxergam poderem ter no futuro. 

A metáfora que melhor explica esta tese é de uma conta corrente em um banco. Se você depositou antes, tem o direito de ir a um caixa eletrônico e sacar. Se não tem crédito e nunca se preocupou em fazer depósitos, não terá nada para sacar quando precisar. Esta metáfora, mesmo que pareça cruel, é a pura realidade. E quem não entender isso vai sempre cometer o erro mais básico dos relacionamentos – o de apenas procurar as pessoas quando estiver precisando de ajuda.

Escolhi este tema para a coluna de hoje porque confesso que estou meio farto de alguns tipos de posturas no campo profissional. Primeiro, de pessoas que fazem contato comigo três vezes por década, apenas quando estão precisando de ajuda e para pedir coisas. Segundo, e pior, é ver que estas pessoas, ao me contatarem apenas quando estão precisando de ajuda, começam a conversa como se falassem comigo toda semana, perguntando da família, da saúde etc. Isso irrita muito. 

Sei que este tema carrega uma certa polêmica, mas quero deixar aqui mais uma vez registrado que tenho uma opinião clara e sem rodeios. Se você quer poder contar com pessoas no futuro ou quando tiver algum problema da sua carreira, trate de criar este saldo desde já. Escolha um grupo de pessoas para fazer parte da sua rede de contatos profissionais e dedique uma parte dos seus recursos (tempo, energia e dinheiro) para ajudar estas pessoas. E nunca, nunca mesmo, tenha esta postura de só procurar pessoas influentes ou que possam abrir portas para você quando estiver na pior. Isso não funciona. O mundo é uma grande malha de apoios e recompensas, de ajuda mútua e cooperação. Ninguém chega a lugar nenhum sozinho. Todos precisam de apoios e de aliados, mas para ter isso, precisa criar o seu saldo. 

Se quiser ler a série inteira novamente, eu envio por email todos os sete artigos. Caso contrário, questione-se esta semana e analise a sua postura (atual) com aqueles que podem ajudá-lo(a) no futuro. Como está o seu saldo no banco dos relacionamentos? Até o próximo. 

por Marcelo Veras
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