Artigo 124 – Pessoas que só sabem pedir – parte II

“parte II”, mas recebi alguns emails e algumas perguntas ao longo da semana e resolvi complementar a minha visão sobre o tema. Embora exista sempre alguém com uma visão diferente e que não concorde com a tese de que os relacionamentos profissionais são verdadeiras contas correntes, onde as pessoas só ajudam aqueles que algum dia as ajudaram ou que demonstram claramente que irão fazer no futuro, a maioria (felizmente) acredita que a vida é assim mesmo. Uma grande teia de trocas.  Aliás, esta forma pragmática e direta de tratar o tema, como faço em relação a tudo que penso, às vezes choca um pouco e eu até entendo. Nós não fomos, em geral, educados para simplificar as coisas e falar diretamente. Muito pelo contrário, a maioria das pessoas não gosta de dizer (realmente) o que pensa e prefere adotar discursos politicamente ou socialmente corretos. Não há certo e nem errado. Mas o que não dá para aceitar é que alguém fuja da realidade e se prejudique por ter esta postura. Se você não quer sair por aí dizendo a todos que está criando saldo nos seus relacionamentos para que possa usar no futuro, tudo bem. Não diga. Mas faça. E a razão é simples. Você só terá ajuda quando precisar se tiver com quem contar. E este “saldo”
por Marcelo Veras | 19 de ago de 2013

"Criar saldo com pessoas é um desafio, mas é possível” 

Achei que este tema caberia em um único texto. Não pensava nem de longe em escrever esta deve ser construído hoje, exatamente quando você não estiver precisando de ajuda.

O tema desta parte II é exatamente este: Como criar saldos nos relacionamentos profissionais? O que fazer com alguém que acredito que vai poder me ajudar no futuro, mas hoje? Sempre digo em minhas aulas que este tema tem dois grandes desafios. O primeiro deles é vencer a primeira barreira de acreditar e entender a questão da “conta corrente”. Quem chega até aqui, venceu a primeira batalha. O segundo é exatamente esta – descobrir formas de criar o saldo nos relacionamentos profissionais. Isso exige duas tarefas básicas e muita disciplina. A primeira tarefa é a investigação. A pessoa que você escolheu tem, assim como você, desafios, objetivos, medos, angústias etc. Não pense que porque esta pessoa já está em um super cargo bem acima do seu, na sua ou em outra empresa, ela não tenha questões para resolver ou batalhas para vencer. Tem sim. Todos têm. Seja no campo pessoal ou no profissional. E se você conseguir descobrir quais são este desafios, bingo! Pode tentar ajudá-la hoje para poder contar com ela amanhã.  Para descobrir isso você precisa investigar. Isso se faz de uma única forma: Dedicando um tempo da sua agenda para conversar, trocar emails, perguntar para conhecidos mútuos etc. Esta não é uma tarefa fácil, mas não é impossível. Todos deixam pistas de seus pensamentos, objetivos e medos. Todos. Além disso, você precisa também ter informações básicas sobre as pessoas que escolheu para a sua rede de contatos, como a data de aniversário, a situação familiar (se tem filhos, se é casado e por aí vai) e outras questões pessoais.

A segunda tarefa se resume em uma palavra: ajudar. Você pode ajudar alguém de diversas formas. Por exemplo, indicando para uma vaga ou repassando informações importantes e que seja útil para os desafios que esta pessoa tem. Usando as informações que conseguiu levantar, trate de descobrir uma forma de ajudar naquilo que ela precisa hoje, mesmo que seja com as coisas mais simples e que estejam ao seu alcance. Não perca o contato. Não esqueça a data de aniversário. Acompanhe de perto os passos desta pessoa, seja diretamente ou nas redes sociais. Dê os parabéns a cada nova conquista. Curta seus posts. Compartilhe informações. Ajude a divulgar seus projetos sem que ela te peça. Estes são exemplos simples de como você pode se manter presente, de forma útil e colaborativa, na vida de pessoas que possam lhe abrir portas no futuro. Não há mágica. Não há regra. Não há receita de bolo. A única coisa importante é: Eleja um grupo de pessoas e ajude-as o máximo que puder, HOJE. Elas não se esquecerão disso no futuro. Até o próximo. 

por Marcelo Veras
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