Artigo 129 – Os custos de ser líder

“gestão de conflitos”, usando o seguinte caso: Você é líder de uma equipe e recebe a informação de que dois de seus liderados estão “se bicando”
por Marcelo Veras | 23 de set de 2013

"Não dá para fazer omelete sem quebrar os ovos” 

Na semana passada eu estava em aula na disciplina de Planejamento de Carreira e discutia com os meus alunos uma competência bem importante – Gestão de Pessoas e conflitos. Sempre nesta aula gosto de provocar uma discussão em cima do tema , ou seja, está rolando um conflito pessoal entre eles. Não se trata de um conflito de opiniões sobre um projeto pertinente ao trabalho, e sim pessoal. A minha pergunta é: - O que você acha que deve fazer ao tomar conhecimento do fato?

As respostas, desde que comecei a dar aulas deste assunto, há sete anos, sempre transitam entre três alternativas. Um grupo acha que deve chamar os dois briguentos juntos e ouvir deles o que está havendo. Outra corrente defende que deve-se chamar cada um individualmente, ouvir sua versão e apaziguar as coisas. Já a terceira versão, que normalmente vence, defende que se o conflito for pequeno, não deve fazer nada e deixar a coisa acalmar-se por si só. Afinal de contas, as pessoas são adultas e vão saber se entender. Além disso, conflitos sempre existem e não dá para ficar cuidando de todos pessoalmente.

Mesmo nos dois primeiros casos, quando as pessoas defendem que as partes devem ser ouvidas (juntas ou separadas), vejo que há uma resistência grande em agir no sentido de julgar e/ou punir quem estiver errado. A maioria entende que sempre é muito difícil saber quem está certo e quem está errado, quem começou primeiro e quem revidou... Enfim, em linha gerais, a galera se esquiva do papel de juiz. 

Eu tenho a minha opinião, não só sobre esta questão, como em relação a todas as questões relacionadas ao papel de um líder. Não almejo que todos os caros leitores concordem comigo, mas a minha visão é clara e está de certa forma resumida na frase de destaque deste artigo – "Não dá para fazer omelete sem quebrar os ovos”. As posições de liderança são sempre desejadas por muitos, mas poucos estão realmente dispostos a pagarem o preço para ocupá-las. Não é fácil ser líder. Se fosse, haveria líderes de sobra, o que não se verifica na prática. Ser líder dá trabalho. Muito trabalho. E um deles é gerenciar conflitos na equipe. E já adianto, sempre haverá conflitos, mesmo que a equipe tenha apenas duas pessoas. 

A premissa principal para a minha opinião é que conflitos, independente do tamanho, consomem recursos que são bem escassos hoje em dia: Tempo e energia. Cada minuto gasto brigando é um minuto de desperdício de energia e perda no foco principal – resultados. Portanto defendo que conflitos devem ser identificados e resolvidos rapidamente. Tem que matar na raiz. Senão, cresce e passa a consumir cada vez mais tempo e energia das pessoas, que deveriam estar focadas no seu trabalho e nos resultados da equipe. E pior, um conflito não resolvido rapidamente começa a ganhar corpo e envolver outras pessoas, que começam a tomar partido e entrarem na briga. 

E adivinhe de quem deve ser o papel de juiz, que deve entrar na questão e acabar com a briga imediatamente, mesmo que tenha que demitir um ou os dois “galinhos de briga”? O líder. Não existe outra pessoa. O maior interessado em resolver tudo rapidamente e recolocar a equipe focada nos resultados é o líder. Não dá para se esquivar deste papel. Esse papo de deixar a coisa acalmar por si só é uma decisão muito errada e terá o seu preço cobrado. 

É, meu caro, a moeda tem dois lados. Liderar é ter que assumir papéis que nem sempre são agradáveis. Mas este é um dos preços a serem pagos. Nem sempre iremos acertar no nosso julgamento, mas nestes casos a omissão custa mais caro do que o erro. Até o próximo. 

por Marcelo Veras
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