Artigo 153 – Relações curtas x Impactos duradouros

“Nunca perca uma oportunidade de causar uma boa impressão”
por Marcelo Veras | 10 de mar de 2014

 

 Na semana passada eu e a minha noiva fomos a uma barraca de praia em Natal – RN. Mais precisamente na praia de Ponta Negra. Estávamos de volta de outra praia e paramos para comer algo. Como o horário já não era mais o de pico, embora a praia ainda estivesse cheia, escolhemos a barraca mais vazia, até porque não queríamos esperar muito para comer algo. Pedi um camarão à milanesa, que logo chegou. Quando peguei o primeiro camarão e mordi, a surpresa. Imagine que o pedaço inteiro era do tamanho de um dedo indicador, mas o tamanho do camarão por dentro da grossa massa era quase da largura de um fio de cabelo. Os mais críticos diriam que ali não havia camarão algum. Pensei que fosse apenas um dos pedaços, mas estava errado. Todos, absolutamente todos, eram 95% massa e 5% camarão. Considerando o preço que estavam cobrando, eu poderia perfeitamente chamar a polícia em fazer um B.O. Pedi a conta, pagamos e fomos embora. Até gosto de uma briga dessas, mas resolvi preservar a minha tranquilidade. 

 Antes de sair, começamos a discutir sobre o fato e os motivadores de tamanha falta de vergonha na cara de algumas pessoas, empresários e profissionais em geral. É fácil concluir que, tratando-se de uma cidade turística, o que deve se passar na cabeça do dono dessa barraca de praia é: - É tudo turista mesmo. Nunca mais vão voltar aqui. Então vamos fazer o que der para ganhar o máximo na “única” vez que vamos vender. Este raciocínio, infelizmente, permeia muitas mentes por aí. 

 Ao mesmo tempo que discutíamos o caso, a minha noiva me contou que nos últimos dois meses do seu primeiro estágio em um banco, ela viveu pessoalmente uma situação muito inusitada. Uma cliente do banco, empresária, ia à agência em que ela estagiava duas vezes por semana para fechar uma série de assuntos bancários da sua empresa, mas chegava sempre 5 minutos antes da agência fechar e com uma pilha de coisas para resolver. Quem desse o azar de pegar o caso naquele dia ficaria na agência 30 minutos após o término do expediente. Segundo ela, o comentário dos demais estagiários era sempre o mesmo: - Por que essa louca só chega nesse horário e com essa pilha de coisas? Um deles chegava a dizer:  - Eu não vou ficar aqui atendendo essa mulher até depois do meu horário de saída. Afinal, o meu estágio está acabando mesmo. Ela me disse que a mulher era muito simpática e que resolveu, ao contrário dos demais, “assumir” a senhora sempre que ela chegasse nesse horário. Assim foi até o dia em que ela terminou o estágio e se foi. Três meses depois, ainda na faculdade, recebeu uma ligação de uma pessoa. Quase desligou porque não sabia que era. Depois viu que se tratava desta senhora empresária. Ela explicou que estava há mais de dois meses tentando conseguir o telefone dela sem sucesso. O banco, por questões de políticas internas, não repassava telefone de ex-estagiários. Depois de insistir com vários funcionários, um deles procurou e repassou o telefone. O mais interessante era o motivo da ligação. Esta empresária ligou para agradecer o atendimento que tinha recebido durante os últimos meses dela no estágio, reclamou que nunca mais teve um atendimento igual e que gostaria de oferecer um emprego na sua empresa. Na semana seguinte, ela estava iniciando o trabalho nesta empresa, não mais como estagiária, mas como efetiva.

 Bom, estes dois casos mostram que, ao contrário do que muitos pensam, relações curtas nem sempre têm impactos curtos. Pessoas que aparentemente nunca mais veremos, podem contribuir de forma significativa para construir (ou destruir) a nossa imagem ou a do nosso negócio. No caso da barraca da praia, eu era apenas mais um que poderia ser enganado. No outro caso, que diferença faria assumir uma bronca daquela faltando dois meses para acabar o estágio? Em ambos os casos vemos claramente como se materializa uma das coisas que mais tenho repetido: O mundo dá voltas. 

 Agora entendo porque aquela era a barraca mais vazia da praia e porque algumas pessoas crescem mais rapidamente do que outras. Nunca desperdice uma oportunidade de fazer bem feito. De onde você menos espera, podem sair grandes oportunidades. Até o próximo!

por Marcelo Veras
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