Artigo 183 – Amor pelo que faz – O principal ingrediente do sucesso

“Sem amor genuíno, nada atinge a excelência”
por Marcelo Veras | 06 de out de 2014

 

 Depois de tantos anos estudando planejamento de carreira e desenvolvimento de competências, às vezes me pego pensando que este tema, aparentemente complexo, pode ser entendido e resumido com coisas tão simples. Em todas as minhas falas hoje sobre o tema, faço questão de dizer que a maioria dos problemas complexos possuem soluções muito simples. Nós é que, às vezes, complicamos o que não tem nada de complicado.

 Uma dessas facetas ligadas à gestão da nossa vida profissional é a compreensão do que realmente faz uma carreira decolar. Muitos me perguntam, com frequência, qual é o segredo do sucesso profissional. As pessoas querem sínteses, caminhos, ideias do que fazer, e estas perguntas “totalitárias” sempre me provocam muito. “Qual é o segredo de uma carreira de sucesso?”. 

 Quem me conhece e acompanha meus estudos e conclusões há anos, sabe que tenho uma convicção quase religiosa de que o sucesso é mais fruto de transpiração do que de inspiração. A prática incansável leva à excelência. Dedicação, esforço, desenvolvimento das competências mais valorizadas pelo mercado, investimento contínuo em educação continuada, atualização constante sobre as tendências na sua área de atuação e por aí vai... Estes são os verdadeiros ingredientes do sucesso profissional.

 Mas confesso que na última vez que me fizeram esta pergunta me veio à cabeça uma questão secundária: “Como conseguir se dedicar de forma constante e incansável ao desenvolvimento da carreira em uma determinada área, sem perder a pegada ao longo do tempo?”. A resposta, ao meu ver, é única – Amor pelo que se faz. Não consigo imaginar ninguém que consiga colecionar tanto tempo e tanto esforço se desenvolvendo em uma área sem estar constantemente apaixonado pelo que faz. Não dá. Sem amor, fica difícil. Acho até que essa máxima vale para quase tudo na vida. Quando há amor, genuíno, fazemos tudo o que for preciso e somos capazes até de dar a nossa própria vida por uma causa ou por alguém. Eu trocaria a minha vida pela da minha filha sem pensar 1 segundo. Tenho certeza que você seria capaz de trocar a sua pela de alguém também, caso fosse preciso. Mas quando o amor acaba, congela tudo. A capacidade de se doar vai pro espaço e tudo parece uma tortura. Quando isso acontece, fazemos o que dá para ser feito e ponto. Fazemos o básico, apenas o necessário para cumprir com os requisitos mínimos. E aí, quando o assunto é carreira, não tem o menor perigo de termos a pegada forte e contínua de desenvolvimento, dedicação e busca da excelência. O resultado, portanto, é um só – a carreira segue em ritmo de uma tartaruga e com gosto de picolé de chuchu. Não tem jeito, é assim mesmo. Quando não se ama o que se faz, é exatamente o que ocorre.

 Isso acontece, infelizmente, com muitas pessoas. Existe hoje uma legião de pessoas infelizes nos seus empregos. Parte porque está infeliz com seus chefes ou com os rumos da empresa. Mas uma grande parte porque simplesmente não estão trabalhando naquilo que deveriam, ou seja, não descobriram ainda a sua real vocação. 

 Quando trabalho o tema “gestão de carreira” nas minhas aulas tenho procurado motivar os alunos a fazerem um grande investimento de tempo e de energia na busca dessa resposta – “O que realmente gosto de fazer e faria, pelo resto da minha vida, com um prazer enorme?”. Este investimento em autoconhecimento é, na minha visão, um dos mais inteligentes que alguém pode fazer hoje. Ferramentas existem. Basta querer e estar convencido de que este é o único caminho para uma carreira de sucesso. Até o próximo!

por Marcelo Veras
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