Artigo 195 – Plantar e colher

“O plantio é opcional, mas a colheita é inevitável”
por Marcelo Veras | 29 de dez de 2014

  

 Neste nosso último “encontro” de 2014 quero deixar uma reflexão e uma convicção que construí na minha mente ao longo de muito tempo. Não vou dar nenhum tipo de conotação religiosa nela porque não foi aí que busquei os ingredientes e não faria o menor sentido fazê-lo aqui neste espaço. Cada um, se concordar com ela e quiser buscar os referenciais teóricos na sua religião, fique à vontade. No meu caso, a fonte onde aprendi isso se chama “dia a dia”. Observando, ouvindo, pesquisando e estudando a vida e a carreira das pessoas que me cercam, pude constatar relações de causa e efeito em praticamente tudo. E é disso que quero tratar hoje.

 Não me recordo quando, pois afinal são quase quatro anos escrevendo semanalmente aqui, mas já trouxe uma reflexão sobre o que chamei de “Leis irrevogáveis”. Neste texto tratava do valor dos profissionais no mercado e explicava o porquê da concorrência insana que vivemos hoje na busca das melhores vagas no mercado. Neste artigo falei da “Lei da gravidade” e da “Lei da ação e reação” duas leis universais e que ninguém deve testá-las pois funcionam. Na sequência, para explicar a concorrência, falei da “Lei da oferta e da procura”. Quanto mais escasso, mais valor se dá a algo. Quanto mais abundante, menos valor. Lembro-me que escrevi que um quilo de ouro pode passar a valer menos do que um quilo de banana. Basta alguém achar uma mina de ouro gigante e o seu valor de mercado despenca. No caso das disputas cada vez mais acirradas, a explicação está na crescente formação de pessoas com curso superior, pós graduações, MBAs etc. Quanto mais profissionais preparados, maior o nível de cobrança. Simples.

 Pois bem, hoje quero transformar a convicção que construí em mais uma lei universal. Sei que nem todos vão comprar a ideia ou concordar 100% como concordam com as três leis que acabo de citar. Conheço e respeito a crença de alguns em relação a sorte e destino, mas já cortei estas palavras do meu dicionário há muito tempo e nem entro mais em embates em relação a elas. A minha quarta lei se resume em uma frase: “”.

 Li esta frase nestes últimos dias, corrigindo um trabalho de MBA de Mateus de Souza, meu aluno da disciplina de planejamento de carreira na Inova Business School em Campinas. Como ele não cita a autoria, não consigo dar o crédito aqui. Mas ela vai com certeza para a minha coleção de frases que guardo há anos. Representa muito bem esta relação de causa e efeito que, para mim, compõe mais uma lei universal. Com um detalhe brilhante, ela deixa claro que a decisão do que “plantar” é nossa. 

 A vida é assim. Muitas encruzilhadas, muitas decisões, muitas tentações, muitas oportunidades de fazer coisas boas e muitas oportunidades de fazer coisas ruins. É como se andássemos o tempo todo com um saquinho cheio de sementes, umas do bem e outras do mal. A cada esquina, uma oportunidade de abrir os saquinhos e jogar algumas delas no chão, com a certeza de que o terreno é fértil (para o bem ou para o mal), que vai chover e que um dia voltaremos ali para colher o que plantamos. 

 Na dimensão pessoal até aceito o termo “acaso”, até porque não consigo explicar a morte prematura de uma criança, por exemplo. Conheço religiões que possuem teses “completas” para explicar isso. Mas nas dimensões financeira e profissional, para mim não há acaso. Tudo é fruto do que se planta. Quem faz o bem, recebe o bem. Quem ajuda, é ajudado. Quem se dedica e se esforça, cresce. Quem estuda, aprende. Quem estabelece metas, se prepara e corre atrás, conquista. Assim foi no passado, assim é hoje e assim será sempre. Por isso digo que esta é mais uma lei universal, que dá a cada um de nós exatamente o fruto do que foi plantado. Cabe a nós escolher o caminho e as sementes que vamos jogar no chão. 

 Pense nisso. Desejo que em 2015 você escolha bem as suas sementes e jogue-as no terreno mais fértil que encontrar. O que quiser para você, faça com os outros. Tenha um ano maravilhoso! Até o próximo!

por Marcelo Veras
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