Artigo 196 – Novas posturas no ano novo

“Um ano diferente exige uma postura diferente”
por Marcelo Veras | 12 de jan de 2015

  

 Passei os últimos dias do ano na praia com família e amigos. Entre uns que chegavam e outros que partiam, mais ou menos 20 pessoas. Muitos assuntos, muitas risadas e muita diversão. Mas nos momentos mais sérios dois assuntos imperavam. Quer tentar adivinhar? Final de ano não dá outra. É hora de fazer balanços e planos. Como foi 2014 e o que se pretende fazer em 2015. Creio que em 99% das famílias o assunto é o mesmo nessa época do ano. Uns mais, outros menos, mas todos fazem esta reflexão.

 Quando tinha a palavra nas conversas, procurei fazer uma provocação, que para alguns poderia até parecer intromissão. – O que você pretende fazer de diferente em 2015? As respostas nem sempre vinham na velocidade desejada. Aliás, quase ninguém responde imediatamente. Parece que esta pergunta pega todos de surpresa. Como conheço bem todos os que estavam comigo, garanto que algumas respostas que ouvi neste ano são iguais às que ouvi no ano passado. Ou seja, promessas de novas atitudes que ficaram apenas “no papel” (ou na boca).

 O ser humano tem uma capacidade enorme de se auto enganar. Existem inúmeros estudos psicológicos que mostram a nossa capacidade de acreditar em algo que não faz sentido e seguir um caminho que, racionalmente, não é bom. Pessoas que jogam compulsivamente ou que perdem tudo em investimentos arriscados são dois bons exemplos. Mas em escala menor de irracionalidade, nesta época do ano, todos nós nos enganamos um pouco. Ao se prometer fazer coisas diferentes no ano novo e seguir fazendo exatamente mais do mesmo, de certa forma, padecemos do mesmo mal. 

 Nestes dias tenho ouvido promessas muito interessantes, ditas com uma convicção quase religiosa. Promessas que, se colocadas em prática, mudariam muito a vida de quem as fez. Faça você mesmo esta conta. Tente se lembrar das promessas feitas por pessoas próximas a você no final de 2013 e faça a conta do que foi colocado em prática e do que ficou apenas no discurso. Registre o que ouviu neste final de ano e veja qual será o saldo no final de 2015. Não precisa ir longe para constatarmos que somos mais demagogos do que alguns políticos às vésperas de eleição.

 Só vejo duas formas de sair dessa vala comum e colher, de fato, os frutos das boas mudanças. Tenho aconselhado pessoas próximas a seguirem duas regras básicas. A primeira delas é do “senso de humildade”. Significa reconhecer que não somos muito bons em promover mudanças e, portanto, devemos ter poucas metas. Não adianta começar um ano se prometendo emagrecer, fazer um curso, ler 10 livros, quitar todas as dívidas, poupar dinheiro e comprar um carro. Não vai rolar. Quem começa o ano com muitas metas acaba não cumprindo nenhuma. O meu número mágico é dois. Estabeleça duas mudanças que quer promover e ponto. Quanto menos objetivos, mais foco e maior a chance de fazer acontecer.

 A segunda dica, e talvez a mais importante, é o registro. Também está provado cientificamente que o nosso cérebro registra melhor e aciona com mais eficácia os comandos de ação quando nós escrevemos aquilo que queremos fazer. Quem me conhece sabe o quanto sou fã dos registros e de uma agenda. O que não vai para a agenda não existe. O que não se transforma em processo não existe e não acontece. A forma não importa, mas recomendo que escreva as suas duas metas e monte um calendário de execução e de registro do resultado. Por exemplo, se você quer fazer atividade física três vezes por semana, monte um quadro para registrar os dias em que cumpriu e um fechamento de cada semana, mostrando os resultados atingidos. Pode parecer bobagem, mas isso muda tudo.

 É isso, poucas metas, registro e acompanhamento delas. Quem fizer isso, tem mais chances de sair dessa vala comum de pessoas que começam um ano novo cheio de promessas e, no final dele, percebem que tudo está exatamente do mesmo jeito, ou pior. Até o próximo!

por Marcelo Veras
compartilhar