Artigo 266 – Autoconhecimento – parte I

“Será que você sabe quem você é?”
por Marcelo Veras | 06 de jun de 2016
Artigo 266 – Autoconhecimento – parte I

  

Essa é uma história de dois soldados. Ambos recebem o seu kit de guerra minutos antes da batalha. Uma mochila com uma arma e mantimentos. Eles sabem que sua arma está dentro da mochila, mas nenhum dos dois se preocupa em abrir e checar se ela está lá ou qual é o seu tipo. E assim, sem saber exatamente com o que contam, seguem para o campo de batalha.

O soldado 1 tem certeza que a arma é excelente. Ele chega até a dizer aos outros que tem uma metralhadora de última geração e que vai fazer e acontecer nessa guerra. Chegou até a dizer a um colega: “Vou mandar tão bem nessa guerra que serei promovido. Você vai ver!”. No campo de batalha, chega a hora da verdade. O inimigo é visto à distância. A tensão cresce e chega a hora de cada um sacar a sua arma. O soldado 1, convicto de que tem uma super potência na sua mochila, nem hesita e parte para cima dos inimigos. Na hora “H”, quando abre a mochila e saca a sua arma, percebe que lá tem uma espingardinha de chumbinho, daquelas que mal mataria um pardal. Ao notar que a sua suposta metralhadora não existe, ele se apavora e tenta correr. Mas é tarde. O soldado 1 nem tem tempo de se arrepender de não ter aberto a mochila e checar o que tinha, antes de se expor.

Já o soldado 2, que também não abriu a mochila para checar a arma que tinha, comenta com um colega sobre a sua certeza a respeito da arma: "Nem vou abrir. Já sei o que há dentro. Eles nunca iriam me dar uma metralhadora. Tenho certeza que me deram de novo aquela espingarda de quinta categoria. Mas, como não sou bobo, nem vou me expor nessa guerra. Vou ficar quieto e tentar nem aparecer”. E lá se foi também para o campo de batalha. Achou uma ótima posição e teve inúmeras oportunidades de agir e mostrar a sua pontaria, mas não o fez em momento algum, porque tinha certeza de que a sua arma era péssima. Quando achou que tudo havia passado, saiu da sua toca para voltar ao acampamento, mas deu de cara com dois inimigos logo no primeiro minuto. Com receio de abrir a mochila e pegar a arma para se defender, foi abatido. Os soldados inimigos, quando abriram a mochila do morto, viram uma super metralhadora de última geração. - Nossa, que cara estranho! Com uma arma dessa, por que não usou?  - comenta um deles.

Todos os estudos sobre sucesso profissional, independente da área de atuação, convergem para uma verdade incontestável: Quem não se conhece, não vai longe. Essa história mostra, de forma didática, o que acontece quando alguém se superestima ou se subestima. A arma, no caso, foi a metáfora que usei para as nossas competências e habilidades. Quando não sabemos que temos, não usamos. Quando achamos que temos sem de fato termos, morremos pela arrogância. Não tem pior ou melhor. A historinha dos soldados mostra isso. Ambos morrem. O que muda é apenas a perspectiva.

Tenho usado essa história nas minhas aulas sobre planejamento de carreira e defendido enfaticamente que um dos melhores investimentos que podemos fazer na hora de planejar a nossa carreira é uma viagem de autoconhecimento. Quem eu sou? Em que sou muito bom? Quais são as minhas limitações, medos e receios? Quem tem essa consciência, não só usa as “armas” certas nas horas certas como também se torna um líder autêntico, confiável e respeitado.

Como alcançar um ótimo nível de autoconhecimento? Contarei na semana que vem. Até lá!

por Marcelo Veras
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