Artigo 286 – Realização profissional

“Cada um de nós compõe a sua própria história”
por Marcelo Veras | 24 de out de 2016
Artigo 286 – Realização profissional

 

Só porque mereço, me dei de presente uma semana inteira de férias e, depois de 12 anos, voltei à bela Jericoacoara, praia fantástica cravada no meio de um parque nacional no Ceará. Lá, praticamente só se chega de automóvel 4 x 4. Quase uma hora pelas dunas, saindo de Jijoca. Local tranquilo, praia e dunas paradisíacas. Um lugar que não conhece o 3G e onde o melhor Wi-fi exige uma forte dose de paciência. Mas, para que internet rápida se não fui lá para trabalhar, não é mesmo? Logo relaxei e me desconectei.

Não sou de fazer amigo em fila de cinema, mas num lugar desses a minha curiosidade bate nas nuvens. A cada nova pessoa que via ou falava, uma vontade enorme de conhecer a sua história, principalmente daquelas pessoas que foram viver ali. E então me surgem aquelas perguntas de Globo repórter: Por que escolheram aquele lugar? O que fazem para viver? O que deixaram para trás?

Eis que, em menos de uma semana, consegui conhecer quatro histórias. De conversa em conversa, matei a minha eterna vontade de entender como as pessoas desenham a sua vida, carreira e finanças pessoais. Quatro histórias bem diferentes, mas que terminam com a mesma lição.

Logo na primeira noite, sentado num barzinho com música ao vivo, um velho colega do RS me aborda, do nada, e diz “Posso tirar uma foto do casal?”. Quase morri de susto, até reconhecer o Cláudio, que logo se sentou conosco e contou que vem a Jeri duas vezes ao ano, tanto que, agora, está vindo de vez. Mas, para fazer o quê? Simples, construir um prédio com apartamentos para alugar, uma carência identificada por ele ao longo desses anos convivendo ali. Contou que vai viver entre Jeri e Porto Alegre (dois extremos do Brasil), visitando as filhas e voltando para velejar e tocar os negócios na praia.

Na tarde seguinte, a convite dele, fomos comer um croissant na padaria do Pierre (e que croissant!). Um francês, casado com uma italiana, que se mudou para Jeri há 12 anos e vive ali fornecendo suas maravilhas de pães e croissants para hotéis, pousadas e com portas abertas ao público desde às 7h da manhã.

Estamos lá, sentados e apreciando o café com croissant e, de novo do nada, surge um senhor que já puxa papo conosco. “Gostaram do croissant? O Pierre é bom mesmo! Olha, se vocês gostarem de massa, indico um restaurante fantástico na praça, ok? De onde vocês são?” Pronto, em menos de um minuto o Enzo (um italiano de uns 50 anos) estava sentado à mesa e contando em detalhes como saiu da Itália há quase 30 anos e veio morar em Jeri. É dono de três Hostels, com 60 camas, onde cobra R$ 35,00 por pessoa por noite.

Na véspera de irmos embora, fui me despedir do mar e fiquei muito tempo dentro da água, sozinho e curtindo o mar verde e as manobras de wind surf no lado da praia destinada à turma da vela. Um cara de uns 30 anos chega perto e diz “Lindo esse mar, não é mesmo?”. Pronto, em 2 minutos estava batendo um papo com um uruguaio que largou tudo, vendeu o que tinha e estava viajando há 2 anos e meio, sendo os 6 últimos meses no Brasil. Nesse caso, perguntei muita coisa e vi que ele tinha prazer em contar. Por onde anda, procura um trabalho e fica. Em Jeri, estava trocando 4 horas de trabalho pelo quarto em um Hostel. Disse que dali vai para a Amazônia, depois para os EUA aprender inglês e depois quer ir para a Europa e Ásia. Quando lhe disse que era professor, ainda ganhei os parabéns pelo dia 15 de outubro.

Quatro histórias totalmente diferentes, mas com algo em comum. Pessoas que tomaram decisões, correram (e correm) seus riscos, mas que vão em busca da sua realização pessoal e profissional. Na hora lembrei-me da frase da música eternizada na voz de Almir Sater: “ e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz”. Até o próximo!

por Marcelo Veras
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