Artigo 287 – Atitude ou Justificativa

“Você quer? Mas quer mesmo, de verdade?”
por Marcelo Veras | 31 de out de 2016
Artigo 287 – Atitude ou Justificativa

 

Chegou a hora de contar uma história que poucos conhecem:

- Em 1997, comecei o meu MBA em Marketing na ESPM, em Porto Alegre. Morava a 150 KM, na cidade de Santa Cruz do Sul. O curso durou 2 anos, com aulas todos os sábados, das 09h às 17h30. Para chegar na hora, às 8h30, precisava acordar às  05h30 e dirigir 1h30 . No final do dia, tomava um lanche no caminho e, depois de mais 1h30 de estrada, chegava em casa às 20h30. Quando acabei a primeira metade do curso, fui transferido para a unidade da empresa em Uberlândia-MG, com o intuito de coordenar um projeto que duraria 1 ano. Foi bom voltar para perto da família, mas, e o meu MBA? Perder a metade cursada? Trancar? Não, de jeito algum. Esse curso fazia parte da minha estratégia de mudança de carreira, da área técnica para marketing. Nem passava pela minha cabeça desistir disso. Fui atrás e descobri que a unidade mais perto da ESPM ficava em Campinas, a 520 Km. Meu Deus, 520 Km! O que faço agora? Todos os finais de semana, deveria me deslocar 1.040 Km? Faltava mais 1 ano para acabar o curso. Aproximadamente uns 45 sábados de aula, descontando as férias de julho e alguns feriados sem aula. O que deveria fazer? Não pensei duas vezes...

Bom, toda sexta às 22h entrava no ônibus em Uberlândia. Depois de uma noite de viagem, chegava à antiga rodoviária de Campinas às 05h. Esperava o sol nascer, tomava um café e pegava um ônibus para a escola. Chegava lá por volta das 07h30. Esperava até as 09h, assistia à aula até 17h, lanchava, voltava para a rodoviária, pegava o ônibus das 22h e chegava em casa no domingo por volta das 07h. Foi difícil?  Eu sei que foi bem difícil. Salvo algumas raras vezes que fui de carro, essas 45 semanas foram um teste para o corpo e para a mente. A única coisa que não passou nunca pela minha cabeça foi desistir. No dia que acabei o curso, após ter defendido o projeto final, um alívio enorme por ter acabado tomou conta de mim, além de uma surpresa – o convite para ser professor da escola.

Recentemente, em uma turma de MBA na Inova, durante a minha disciplina de planejamento de carreira, estávamos discutindo a dificuldade de todos para conseguirem tempo. Tempo para se atualizar, tempo para cuidar do corpo, tempo para aprender outra língua entre outros naipes de tempo. A maioria estava munida de um festival de justificativas para não fazer um monte de coisas importantes e que poderiam ter grande impacto na carreira e na vida. Até que um aluno pegou a palavra e disse o seguinte: “Sabe pessoal, eu decidi que ia aprender inglês. O meu tempo é curto, trabalho muito e quando chego em casa tenho filho, esposa e tarefas domésticas. Mas isso não me impediu de achar uma forma de estudar inglês. Toda noite, lavo a louça da janta e aproveito para estudar inglês nesse momento. Coloquei um suporte na frente da pia, pendurei o meu tablet, coloquei um fone de ouvido e pronto. Enquanto lavava a louça, estudava inglês, por aproximadamente 30 minutos”.

Além do meu caso e deste último, poderia escrever uns dez artigos como este, apenas contando histórias de pessoas que, convictas do que queriam fazer, encontraram uma forma de fazer acontecer, independente das adversidades que a vida nos impõe.

A maioria das pessoas costuma relativizar o sucesso dos outros e achar que a vida é feita de acasos. Poucos se dão ao trabalho de analisar profundamente a trajetória, os caminhos tortuosos, as escolhas e, principalmente, as renúncias que foram feitas. Portanto, sempre digo uma coisa aos meus alunos e direi isso à minha filha enquanto for vivo: “Quem quer encontra uma forma. Quem não quer, uma desculpa”. Até o próximo!

por Marcelo Veras
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