Artigo 30 – Senso de urgência

“Os rápidos vão mais longe”
por Marcelo Veras | 05 de abr de 2012

Existem carros rápidos e carros lentos. Eu já tive o prazer (e o desprazer) de guiar ambos. A diferença é brutal. Os rápidos respondem imediatamente quando pisamos no acelerador. A gente até gruda no banco. Já os lentos parecem que estão pensando se vão ou não atender à nossa solicitação. Quem pisa o acelerador sabe que aqueles 2-3 segundos até a resposta, dependendo da situação, duram uma eternidade. O responsável por isso é, fundamentalmente, o motor. Esta máquina, associada à aerodinâmica e ao peso do carro, gera cavalos de potência. Estes tais cavalos ditam a regra do jogo e determinam se o carro é rápido ou lento na arrancada.

Bom, mas que raio isso teria a ver com a nossa carreira? Deixe-me explicar. Da mesma forma que existem carros rápidos e carros lentos, existem pessoas rápidas e pessoas lentas. Alguns profissionais, quando recebem um “projeto”, do mais simples, como fazer um relatório, a um projeto complexo, atacam aquilo com uma pressa, às vezes, até injustificada. Mesmo que o chefe diga que o prazo é de três dias, estas pessoas querem entregar em dois. Eentregam. São pessoas que possuem um dos atributos listados em nossa pesquisa com líderes empresariais para a competência “Comprometimento”, a qual tem sido objeto dos últimos quatro artigos. Este atributo chama-se “Senso de urgência”. Costuma-se chamar estas pessoas de “ligadas no 380V”. Falam rápido, fazem reuniões rápidas e diretas. Vão sempre direto ao assunto. Não perdem tempo com discussões bobas. Cobram seus subordinados com ênfase. São mais ansiosas e estão sempre de olho no relógio e na agenda, para nunca perderem nenhum prazo.

Por outro lado, há pessoas que até cumprem prazos, mas trabalham sempre no limite. O arranque é lento. Demoram para sair da velocidade zero. Se fossem um carro, o “torque” seria baixo. São pessoas que ajustam as suas demandas no trabalho ao seu ritmo. Não que sejam lentas, mas não são rápidas. Entende? São pessoas mais tranquilas, mais calmas, menos ansiosas e que levam a vida de forma menos “turbinada”. Não se desesperam facilmente. Dizem sempre que “com calma, tudo se consegue” ou que “No fim, tudo dá certo”. Quem tem pessoas assim na equipe, pode cair na insegurança se coisas vão sair ou não no prazo.

Confesso que, como membro vitalício da primeira categoria, às vezes eu sinto um inveja mortal dessas pessoas. Acho que o meu fio na tomada de 380V vai acabar me custando alguns anos de vida. Mas não adianta. Cada um tem o seu motor. E para trocar, só nascendo de novo.

Não estou aqui hoje para julgar quem está certo e quem está errado. O meu compromisso aqui é mostrar, sob a ótica de quem chegou ao topo de suas carreiras, quais são as regras do jogo e o que vai determinar o sucesso das pessoas no mundo dos negócios e neste século, onde o uso do tempo é um dos fatores mais determinantes para o sucesso de um profissional.

A minha visão é clara e ingrata para o segundo grupo. Este atributo não apareceu na pesquisa por acaso. Aliás, se você leu os artigos anteriores sobre a competência “Comprometimento”, já deve estar convencido(a) que comprometimento é “compromisso com resultado” e que este junta-se ao atributo “pontualidade”, reforçando pesadamente a visão de que o mundo atual, além de ser dominado pelos que fazem (e não pelos que falam), será dominado pelos rápidos e não pelos lentos. Estas pessoas podem até viver menos e com níveis de estresse maior, mas dominarão o mundo enquanto estiverem vivas.

Pense nisso e calibre um pouco (para cima) o seu senso de urgência. Ele pode ajudá-lo(a) a crescer mais e mais rápido.

por Marcelo Veras
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