Artigo 32 – Disponibilidade

“Não quer estar disponível, mude-se para a Austrália”
por Marcelo Veras | 05 de abr de 2012

Com esta, encerro o ciclo de sete reflexões sobre umas das competências comportamentais mais valorizadas atualmente no mercado de trabalho. E, pecando pelo excesso, quero registrar mais uma vez que “Comprometimento é compromisso com resultado”, que na prática se tangibiliza através de sete atributos, já tratados aqui neste espaço nos artigos anteriores: Qualidade de entrega, Pontualidade de entrega, Orientação para resultado, Senso de urgência, Foco em soluções e não em problemas, Pontualidade em eventos e Disponibilidade.

O último atributo é a chamada “Disponibilidade”. Mais uma questão interpretada por alguns de forma equivocada, por puro desconhecimento do que “disponibilidade” – de fato - significa aos olhos do mercado. A maioria das pessoas que conheço acha que estar disponível o tempo todo para a empresa significa deixar que a sua vida pessoal, seus horários de lazer e a sua individualidade sejam invadidas e ocupadas de forma indevida. Portanto, muitos desses profissionais disponíveis sequer têm iniciativa de responder a e-mails à noite ou em finais de semana, mantêm seus celulares desligados em diversas situações e, ainda, fazem questão de criar momentos “eremita”, quando nem se seu pai ou sua mãe morrerem, esta pessoa seria encontrada. Conheço gente que desliga o celular até no horário de almoço. Depois ainda diz que é disponível. Vê-se que é.

Mais uma vez, quero deixar claro que não quero vir aqui para criar padrões de comportamento ou para julgar quem quer que seja. Cada um faz o que quer com a sua vida e com o seu horário livre. E, principalmente, cada um divulga ou não os meios pelos quais possa ser encontrado. Porém, como já cansei de enfatizar nas reflexões sobre esta competência, ter na equipe pessoas comprometidas e competentes é, atualmente, o sonho de dez em cada dez líderes empresariais. E isso ocorre por uma razão muito simples. Quando temos na nossa equipe pessoas comprometidas, ficamos “mais” tranquilos e confiantes de que o resultado será melhor. Só isso! Mais nada! Vamos então à definição do mercado: Disponibilidade: Retorno de e-mails e ligações rapidamente. Fácil de encontrar quando necessário. A frase diz tudo, mas não explica o porquê de algumas pessoas acharem que ela significa “se tornar escravo do trabalho” ou “ficar disponível para a empresa 24 horas” ou não ter vida pessoal.

A Regra do jogo aqui é, como sempre e em tudo na vida, equilíbrio. É claro que todos têm o direito de “desligar” da correria do trabalho por alguns minutos. Mas, gostaria de saber qual é o mal que cairia sobre alguém se adotasse as seguintes regras:

  • Abrir a sua caixa de e-mails uma vez por dia e checar se há algo muito urgente e que precisa ser respondido;
  • Responder todos os seus e-mails em até 48 h e, caso não consiga, enviar uma aviso alertando que a resposta poderá demorar mais um pouco;
  • Deixar o seu telefone ligado 100% do tempo ou checar, em ocasiões especiais (férias, final de semana etc), duas vezes ao dia para ver se há algum recado importante que precise ser respondido.
  • Sei que alguns leitores não vão concordar comigo, ainda mais neste momento histórico onde a tecnologia de transmissão mensagens, de voz e de dados (daqui a pouco de pensamento!) em tempo real parece nos fazer trabalhar 24h por dia, mas sinceramente acho que o profissional que não quer ter este padrão (mínimo) de disponibilidade e que fica se escondendo de tudo e de todos, sob o argumento de que “todos precisam ter o seu espaço”, deve saber que perde e perderá muitas oportunidades. E, para ser bem sincero, deveria se mudar para o centro da Austrália e viver em uma tribo aborígene.

    Até o próximo!

    por Marcelo Veras
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