Artigo 33 – Mudanças

“Mudança: Sobrevivência ou Crescimento?”
por Marcelo Veras | 05 de abr de 2012

O ano está quase acabando. Neste exato momento, ando refletindo sobre como foi a minha vida até aqui. Desde que saí de casa com 22 anos, após concluir a minha faculdade, passei por 8 empresas, sendo uma britânica, uma sueca, uma italiana e uma mexicana. Em uma delas, cheguei a mudar de área 4 vezes em 5 anos. Dezenas de novos colegas e alguns novos amigos. Alguns poucos relacionamentos frustrados, mas todos com aprendizados incríveis. Centenas de alunos com os quais pude aprender e (tentar) ajudar a desenvolver seus potenciais. Alguns mestres com os quais pude me aconselhar nos momentos de dúvida. Centenas de milhares de milhas de viagens acumuladas e, obviamente, trocadas por mais viagens (sem dúvida, o meu melhor investimento até hoje). Muitos livros técnicos sobre negócios lidos e, infelizmente, poucos romances. Mas o que mais impressiona as pessoas ocorre quando conto que acumulo 20 experiências com caminhões de mudança parados na porta da minha casa (sem contar mais 6 mudanças quando eu morava com meus pais). Somando, são mais de uma por ano desde que me formei.

Sei que, com este currículo me condenando, ninguém acreditaria se eu dissesse que o meu sonho era trabalhar e morar na mesma cidade (coisa que não acontece há 12 anos). Adoraria, por sinal, comprar uma casa, decorá-la e morar nela até o fim da vida, e, por fim, ter me casado com 16 anos e estar casado com a mesma pessoa até hoje e para sempre. Pode rir que eu não me incomodo. Sei que isso, embora verdade para mim, parece piada depois de tantas mudanças.

O saldo disso tudo? Confesso que nem sei dizer. Mas se o assunto for mudança (em qualquer sentido), sinto-me credenciado para discutir em qualquer fórum do planeta. Se você estiver perguntando se levei alguns tombos, digo, como já disse em artigo anterior, a resposta é SIM, alguns. Mas, ao menos, sempre que caí, caí pra frente. Quando me levantei, estava alguns metros adiante. Ou seja, doeu, porque cair sempre dói, mas até os tombos me ajudaram.

Você bem que pode estar fazendo um balanço agora da sua vida e das oportunidades de mudança que aproveitou e daquelas que perdeu. Independente de qualquer coisa, as nossas escolhas definem as nossas conquistas. Não tem certo nem errado. Cada um de nós, quando tem uma oportunidade, avalia e decide. Às vezes erra, às vezes acerta, dependendo das informações que usa para decidir e do que a intuição manda. Assim é a vida. O que não se pode fazer nunca é se omitir. Fugir da decisão. Fingir que a encruzilhada não existe. Quem faz isso terceiriza a responsabilidade para a vida, e ela decide por nós, nem sempre a nosso favor.

Quando se fala em mudança nos livros e na academia, o foco está sempre voltado para a sobrevivência no mundo atual, repleto de transformações. O que se vende hoje é: ”Mude ou morra”. As empresas estão cheias de programas de treinamento, tentando colocar na cabeça das pessoas a necessidade da mudança e alertando (subliminarmente) a todos que só sobreviverá quem mudar.

A minha visão é diferente. Concordo com a necessidade, mas discordo do “argumento de venda”. Enquanto a mudança for vendida como necessidade de sobrevivência, o produto ficará encalhado e muitos não o comprarão. A minha história de vida me mostrou que mudança tem mais a ver com crescimento do que com sobrevivência.

Pense nisso. Não que você precise se empanturrar disso como eu fiz, mas uma “dose diária” faz bem. A minha cota já deu. Como diz um grande amigo meu, “quero menos marola no meu lago”. Vou (tentar) sossegar um pouco (quem me conhece deve estar dando risada e pensando: “Só acredito vendo!”).

por Marcelo Veras
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