Artigo 34 – Relacionamento interpessoal

“Relacionamento é tudo. Ou quase tudo”
por Marcelo Veras | 05 de abr de 2012

Com este artigo, inicio um novo ciclo de reflexões sobre mais uma competência comportamental que, como se diz por ai: “desde que o mundo é mundo”, tem ocupado uma posição de destaque entre as competências responsáveis pelo sucesso de pessoas na vida pessoal e profissional. É o famoso Relacionamento interpessoal.

Como um belo exemplo de pessoa tímida, caseira, que não gosta muito de eventos sociais e que não nasceu com o chip das pessoas bem relacionadas que têm a almejada virtude de fazer amigo até em fila do cinema, eu acreditava (equivocadamente), por muito tempo, que se fizesse o meu trabalho bem feito, no prazo e com qualidade, o meu futuro estaria garantido. Profundo erro, descoberto logo nos meus primeiros anos de carreira.

Confesso que sofri muito quando vi pessoas que considerava bem medianas obtendo êxitos e alçando voos bem altos devido a uma belíssima capacidade de se relacionar bem. Devo confessar que - por muitas vezes - atribuí a estas pessoas o apelido de “puxa saco” ou engrossei o coro que defendia que este pessoal só se dava bem porque eram “políticas demais”. Mas que “se espremesse, sairia pouca coisa!

Com o tempo, a idade e principalmente depois da pesquisa que conduzimos na ESAMC com líderes empresariais, vi que esta competência é muito mais simples e “honesta” do que vislumbrava. Abandonei as teses que hoje constam nos livros sobre Networking e passei a ver esta competência como algo mais nobre e menos hipócrita do que se vende por aí.

A definição mais moderna e que deu esta nova visão é: Capacidade de interagir e de criar rede de contatos de forma construtiva. Esta simples frase, se compreendida no seu texto e contexto, pode fazer uma revolução na carreira de uma pessoa. Para isso acontecer, duas premissas devem ser observadas. Veja se você consegue atendê-las. Caso contrário, nem valeria a pena ler os meus próximos seis artigos, porque elas serão a base para o desenvolvimento da mesma.

1 – Acreditar que bons relacionamentos representam o ativo mais importante que uma pessoa pode ter. Bons relacionamentos geram negócios, amizades, promoções, apoio, ajuda em momentos difíceis e alegrias.

2 – Acreditar que é possível, independente das suas caraterísticas de personalidade, construir e desenvolver uma rede de contatos baseada no crescimento mútuo.

Se você comprar, pelo menos por hora, estas duas “verdades”, ficarei feliz porque você vai colher bons frutos no médio e longo prazos com o desenvolvimento desta competência. Além disso, verá que é muito legal fazer um tipo de “poupança” que poucos fazem: a “poupança dos apoios formais e informais”. Quem tem esta conta no banco, raramente se vê em um mato sem cachorro e sempre terá o apoio que precisa para os seus projetos.

Como de costume, vou tratar desta competência com base nos seus atributos, aquelas habilidades que tangibilizam a mesma no dia a dia. Posso citar: Gostar e ter interesse de se relacionar, Montar uma rede de contatos, Desenvolver e perenizar a rede de contatos montada, Interagir com a rede de forma construtiva e preocupado(a) com o crescimento do outro, Saber ouvir e, por último, Possuir empatia. São seis atributos. Seis habilidades que vão exigir alguma disciplina e o investimento de algum tempo, dinheiro e energia. Mas, garanto, este investimento tem um dos maiores retornos que já vi até hoje.

Por hoje, fique com a frase de destaque: . Pense nela. Reflita sobre as pessoas que você conhece e conheceu. Analise casos de pessoas próximas a você que, devido aos seus relacionamentos, conseguem atalhos importantes na carreira e na vida. Será que isso é mesmo uma anomalia de incompetentes ou uma virtude de inteligentes?

por Marcelo Veras
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