Artigo 355 – Intuição no comando

“Respeite sempre a voz da sua intuição”

 

Nessa semana que passou tomei um café com um ex-aluno de MBA. Sandro (nome fictício) queria a minha opinião sobre uma decisão que tinha que tomar rapidamente. Ele acabara de sair de uma empresa e, em menos de um mês, estava com três propostas de emprego na área de seu interesse. Precisava decidir e estava com uma dúvida cruel – qual escolher?

Enquanto tomávamos um bom café, ele me contou um pouco sobre o perfil das três empresas. Uma Start Up quase embrionária, outra no mesmo setor da última empresa e a terceira era uma empresa já consolidada de marca bem conhecida. Após ouvir todas suas considerações, prós, contras e receios segundo a sua visão, perguntei se ele tinha de forma clara qual era o seu objetivo de carreira para os próximos 4-5 anos. Como foi meu aluno exatamente da disciplina de planejamento de carreira, ele foi enfático e seguro ao responder. O seu projeto de carreira se encaixava muito, mas muito mais, em apenas uma das três empresas. Além disso, esta empresa tinha uma estrada mais larga para ele desenvolver as competências necessárias para o seu próximo passo – um cargo de diretoria.

Após ouvir atentamente e pensar por uns minutos, dei a minha opinião, deixando claro, como sempre faço, que era apenas a minha opinião e que ele deveria pensar, ouvir outras pessoas e formar a sua. Disse também que ele deveria respeitar muito a sua intuição e que todas as informações e opiniões que ele coletasse até tomar a decisão deveriam ser submetidas à sua voz interior. Por fim, ele me confessou que a sua intuição o levava para a empresa que recomendei. A sensação de alívio brotava do seu rosto.

Como todo bom engenheiro, sempre tive aversão a qualquer tipo de coisa que não tivesse prova científica. A intuição é uma delas. Mas, como já confessei aqui em outros carnavais, um texto e alguns cabelos brancos mudaram totalmente a minha convicção. O texto é de um cara que sou fã e aprendo muito a cada estudo seu – Malcolm Gladwell. O livro chama-se “Blink – a decisão num piscar de olhos” (Ed. Sextante – 2005). Nele, o autor explica, quase matematicamente, como funciona a nossa intuição. A partir dali comecei a respeitar muito mais aquele sentimento quase inexplicável que nos invade de vez em quando dizendo “Vai!” ou “Não vai. Isso não vai dar certo!”. No caso do Sandro, a decisão dele já estava ali. Ele apenas fez de forma inteligente e submeteu este sentimento a outras pessoas as quais confiava.

A nossa vida e a nossa carreira são cheias de encruzilhadas. Às vezes, a dúvida cruel surge e fica. “Para qual lado eu viro?”. Levante a mão quem nunca se viu numa enrascada dessas. Pois bem, nessas horas temos que usar tudo o que temos de informação qualificada e, na minha visão, submeter à nossa intuição. Ela não é garantia de nada. Pode dar errado? Pode. Claro que pode. Mas como não temos garantias em relação ao futuro, precisamos entrar nele com um sentimento bom e uma emoção positiva em relação a ele. E é esse o papel da nossa intuição. Nos levar ao futuro com alguma convicção de que vai dar certo. Na maioria dos casos, quando respeitamos o que diz o nosso coração, vai dar certo. Portanto, siga a sua intuição e pode ter certeza de que, quanto mais você a seguir e aperfeiçoá-la, mais ela vai lhe levar para o caminho certo. Até o próximo!