Artigo 357 – Primeiro a técnica

“Nunca abra mão de ser muito bom no que faz”

 

Antes de continuar lendo este artigo, se possível, vá ao youtube e assista ao vídeo do casal canadense “Tessa Virtue & Scott Moir” (digite o que está entre aspas que logo aparece a apresentação deles na final das Olimpíadas de inverno de PyeongChang 2018). Preste atenção em tudo, nos detalhes, na perfeição dos movimentos e no resultado final. Tente imaginar quantos tombos foram necessários, durante os treinos, para se chegar a este nível. Tente imaginar quantas horas de ensaio foram dedicadas e quanta energia e dedicação foram jogadas ali naqueles minutos. Sabe como se chama isso? Perfeição técnica.

Desde que comecei meus estudos sobre carreira e competências, em 2006, venho batendo forte na questão das competências comportamentais. Tenho incontáveis textos aqui tratando do tema, mostrando pesquisas mundiais recentes e destacando o papel das atitudes no mundo do trabalho. Continuo convicto de que as competências comportamentais serão sempre e cada vez mais importantes para quem quer crescer na carreira. Mas hoje, depois de um papo recente com meu amigo Max, quero reforçar o papel das competências técnicas – os conhecimentos.

Quem já assistiu a uma aula ou palestra minha, sabe que gosto de expor uma imagem que faz uma analogia entre as competências (técnicas e comportamentais) e um prato de macarrão à bolonhesa. Para se fazer um ótimo prato, precisamos de uma ótima massa e um excelente molho, concorda? Nesta metáfora, ponho as competências técnicas como a massa e as comportamentais como o molho, mas poderia ser o contrário. Na verdade, o que importa é que para se fazer um excelente macarrão à bolonhesa eu preciso de ingredientes maravilhosos. Se um for bom e o outro ruim, o prato final será péssimo e ponto. Em outras palavras, um profissional de alto nível tem boas competências técnicas e boas competências comportamentais. Uma, sem outra, serve para pouca coisa e não leva ninguém muito longe.

Nessa conversa com o Max, ele me dizia que sim, os comportamentos e as atitudes são importantes, mas que os conhecimentos devem sempre estar à frente. Ele até citou um exemplo, que pode parecer pesado e controverso, mas que cabe reflexão. “Marcelo, se o meu filho estiver entre a vida e a morte e precisar de uma cirurgia, eu quero o melhor médico. Não me importa se ele for um canalha, desde que seja o melhor cirurgião e salve a vida do meu filho”. É lógico que este exemplo pode passar longe de carreiras como a sua e a minha, mas o fato é que, assim como conhecimento sem atitudes produz um profissional manco, também é verdade que atitudes sem conhecimento produz um profissional igualmente ruim. Aliás, como sempre digo quando estou com o meu slide do macarrão à bolonhesa na tela, “são os conhecimentos e as atitudes, trabalhando juntos, que geram um profissional fantástico”.

Portanto hoje dedico a minha “fala”, após quase me emocionar com a apresentação desse casal da patinação no gelo, às competências técnicas. Seja lá o que você decidir fazer da sua vida profissional, procure ser muito bom. Se possível, procure estar entre os melhores. Dedique-se a atingir a perfeição naquilo que se propuser a fazer. Não faça nada mediano. Não se contente com o bom. Busque sempre o ótimo e a excelência. Como diz um amigo meu, “de profissional mediano, o mundo está cheio”. Até o próximo!