Artigo 36 – Rede de contatos

“Conhecer muita gente não serve para nada. Ser conhecido, sim.”
por Marcelo Veras | 05 de abr de 2012

Neste terceiro artigo sobre a competência Relacionamento Interpessoal, quero tratar de uma questão que já ouvi de centenas de alunos: - Com quem e com quantas pessoas devo me relacionar? Esta é uma ótima pergunta. Qual é a sua resposta? Quantos amigos você tem? Quantos colegas? Quantos contatos em redes sociais? Qual a relação disso com o seu sucesso profissional?

Bom, para começar, quero contar uma história. Certo dia, há uns 4 anos, em uma sessão de coaching com um aluno de MBA Executivo, observei - intrigado - que ele exibia orgulhosamente uma pilha de cartões pessoais, fruto de diversos eventos que ele tinha organizado e participado em uma determinada entidade especializada em promover encontros entre executivos. Ele havia trabalho nessa organização por dois anos planejando e realizando tais eventos. Lembro-me muito bem das suas palavras: - Olha, professor, quanta gente eu conheço! – Estou organizando tudo em uma planilha excel. – Conheço muita gente importante e isso tem um valor enorme. Igualmente, lembro-me também das minhas palavras distribuídas com uma cara de quem havia comido queijo ultrapassado - Meu caro, na minha opinião, isso é tão útil quanto chifre na cabeça de cavalo.

É, Infelizmente, às vezes eu tenho dessas. Quando me dou conta, a frase já saiu. É claro que ele não gostou. Pode até ter me achado invejoso, porque, certamente, estou longe de possuir uma coleção de cartões pessoais de contatos profissionais em dezessete anos de carreira como ele conseguiu ter em dois anos. A pilha dele era tão grande quanto o desapontamento estampado na sua cara pelas minhas palavras.

Uma das frases mais inteligentes que ouvi até hoje sobre rede de contatos, o chamado Network, foi a seguinte: “Não interessa quantas pessoas você conhece. O que realmente interessa e tem valor é quantas pessoas lhe conhecem”. A diferença é brutal e representa a verdade, por mais que possa doer. No caso deste aluno, aposto (em dólar) que 90% das pessoas que constam na sua pilha de cartões pessoais atenderiam a um telefonema seu com a seguinte frase: - Desculpe-me, mas de onde mesmo nos conhecemos? E aí eu questiono mesmo e de forma contundente qual é o valor dessa enorme quantidade de contatos, mas que na prática sequer sabem que eu existo.

Eu não estou aqui desmerecendo o esforço de pessoas que investem tempo e energia consideráveis para conhecer muita gente. É lógico que, quanto mais contatos, maior a probabilidade de se conhecer alguém que realmente possa fazer a diferença na sua vida. O ponto aqui é outro. O que rejeito é a tese de que um grupo grande de pessoas conhecidas representa uma grande e forte rede de contatos úteis.

Em um dos meus primeiros artigos, tratei dos nossos recursos escassos e do desafio de gerenciá-los. Um deles é o tempo. Não tem jeito. O dia só tem 24 horas e a semana, apenas 7 dias. Não é possível, com a qualidade que uma rede de contatos merece ser administrada para dar resultado, se ter um número exagerado de pessoas na sua rede. Quem faz isso, cai na maior armadilha que hoje condena milhares de pessoas ao fracasso – falta de foco. Fazer muita coisa, sendo todas mal feitas.

Não caia nessa. Quando se trata de rede de contatos, “Menos significa Mais”. No próximo artigo eu vou dar a dica que falta para fechar esta questão: - Como escolher as (poucas) pessoas que colocarei na minha rede de contatos? E, na sequência desta série, como administrar este ativo.

por Marcelo Veras
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