Artigo 360 – Fake

“Não manche a sua imagem profissional com essa sujeira”

 

“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade”. A frase é do escritor e filósofo italiano Umberto Eco e reflete hoje o pensamento de alguns sobre o “palco” que a internet ofereceu a todos, todos mesmo. Sem sombra de dúvidas a rede mundial transformou e ainda irá transformar muito o mundo. Este ambiente global, onde todos têm o poder da palavra e podem influenciar os rumos do seu bairro, da sua cidade e até do mundo, é um espaço magnífico. É difícil hoje pensar como já vivemos sem a essa conectividade e sem esse poder de influência. Porém, como sempre reforço aqui, a mesma faca que passa a manteiga no pão, é usada para matar. A mesma energia nuclear que leva prosperidade a uma população, produz Hiroshima e Nagasaki. E a culpa, no final do dia, nem é da faca e nem da energia nuclear, mas das mãos que as usaram para outros fins.

Com a internet não é diferente. Essa maravilha tem sido usada por alguns (aliás, por vários) para difamar pessoas e propagar notícias falsas, as Fake News, causando enormes estragos em imagens alheias. Só entenderá perfeitamente o fenômeno que já foi alvo de uma notícia falsa. Eu nunca fui, mas conheço pessoas que já experimentaram desse veneno. O negócio chegou a tal ponto que a própria mídia, que muitas vezes comete este erro, está em campanha nacional contra as Fake News. Caiu a ficha de que ninguém está livre disso e que essa pedra pode cair na cabeça de qualquer um a qualquer momento.

Mas, Marcelo, o que isso tem a ver com a minha carreira? Tudo. Desculpe-me de isso parecer uma obviedade para você, mas você já deve saber que cada pingo num “i” que você coloca na rede estará lá para sempre. Não adianta deletar. Aliás, não existe “deletar” quando se fala da rede global. O rastro ficou. Alguém registrou. Alguém deu um “print” na tela a guardou o seu post ou o seu comentário. Falou, está falado. Compartilhou, está compartilhado. E ponto.

Portanto, esse território chamado internet, rico em informações, rede de contatos e oportunidades de negócios e empregos, também é uma armadilha mortal para os desavisados, para aqueles que não têm pensamento crítico e que “compram” tudo o que se “vende” ali como sendo verdade. Atualmente, é ainda pior para aqueles que compartilham (e às vezes ainda reforçam) notícias sem saber se são verdade ou não.

Agora me diga: Você acha que esses rastros não são encontrados por recrutadores? Se acha, lamento lhe informar que você está muito enganado. Hoje, com os algoritmos de mineração e tratamento de dados, nada passar despercebido. Pode acreditar. Tudo o que você faz na rede está registrado e algum dia poderá ser visto por alguém.

Desta forma, escolha a motivação que mais lhe apetecer para não compartilhar notícias falsas. Para mim, a melhor deve ser a de não prejudicar alguém. Mas se não for esta, que seja a de não ser taxado como um profissional sem pensamento crítico e sem a capacidade de nem sequer analisar se uma informação é verdadeira antes de propagá-la aos quatro ventos. Até o próximo!