Artigo 361 – A estrada que faz sentido

“O seu caminho está correto?”

 

Se tem uma coisa que a maioria das pessoas e das religiões concordam é que a vida é cheia de ciclos. Ora estamos felizes, ora tristes. Ora estamos com abundância, ora com escassez. Ora temos sucesso, ora fracassamos. Ora amamos, ora odiamos. E assim a vida segue o curso, com altos e baixos, vitórias e derrotas, erros e acertos. Alguns (aliás, muitos) não conseguem aceitar isso e vivem em constante conflito por não entenderem que a roda gira e vai seguir girando. Nem sempre, porém, a roda da vida lhe favorecerá, mas você está amarrado a ela e deve se preparar para os momentos nos quais ela lhe conduz para cima e para os momentos nos quais ela lhe esmaga.

Esse dilema leva muitas pessoas a se fazerem uma pergunta: se a vida é assim, que sentido devo dar à minha vida? Há séculos, filosofias e religiões tentam dar essa resposta. Há uns que compram essas “verdades” e outros que não. Mas no momento atual em que vivemos, tenho notado um número crescente de pessoas em busca de um propósito. Algo que dê um significado para suas vidas e motivos para acordarem todo dia e travarem a batalha diária da vida, do trabalho e das relações. Eu mesmo, na minha quase sempre overdose de responsabilidades e projetos, acordo às vezes me perguntando se tudo o que estou fazendo faz algum sentido. Será que esse ou aquele projeto, que toma energia, tempo e dinheiro, faz sentido? A resposta nunca é muito clara. Parece que a mente não consegue processar e responder a essa pergunta porque ela mistura sentido e significado com prazer e vontade. O que quero dizer é que há coisas que a gente aprecia, que nos dão algum prazer e que talvez alimentem o nosso ego, mas, em contrapartida, não fazem tanto sentido. A pergunta que fica é: como descobrir se você está fazendo o que deve ser feito e investindo o seu recurso mais valioso – o tempo – naquilo que faz realmente sentido?

Neste momento, me encontro em um dilema que eu mesmo plantei. Tenho que priorizar, escolher e, por consequência, renunciar. E como quero (pelo menos tentar) fazer as escolhas certas, encontrei três perguntas que, na minha visão, devem ser feitas para que nós possamos saber se estamos fazendo o que deveríamos estar fazendo. Elas fizeram muito sentido para mim e talvez façam para você.

– Pergunta 1: este projeto me gera engajamento, ou seja, tenho vontade de trabalhar nele hoje e no futuro?

– Pergunta 2: este projeto tem um impacto relevante, ou seja, ele consegue promover mudanças no ecossistema no qual está inserido? Ele ajuda a desenvolver e melhorar o mundo?

– Pergunta 3: neste projeto eu me desenvolvo e cresço como pessoa e como profissional?

Após pensar muito, escolher essas três perguntas como meus balizadores e respondê-las com a maior sinceridade e convicção, abriu-se uma janela enorme na minha cabeça e vi claramente o que devo fazer e, obviamente, o que não devo. Nunca fui cego e, portanto, a empatia aqui tem seus limites, mas foi como se eu estivesse voltando a enxergar.

Se você está se sentido sobrecarregado ou sem motivação nos projetos profissionais nos quais está envolvido, sugiro tentar essa técnica. Repito, funcionou para mim e espero que funcione para você. O que lhe garanto é que, ao escolher a estrada correta, a vida fica mais leve e com mais sentido. Até o próximo!