Artigo 375 – O tombo do campeão

“Atingiu um objetivo de carreira? Então redobre a atenção!”

 

A Itália foi campeã mundial na copa de 2006. Em 2010, foi desclassificada na primeira fase. A Espanha foi campeã mundial em 2010. Em 2014, foi desclassificada na primeira fase. A Alemanha foi campeã mundial em 2014, metendo o famoso 7×1 no Brasil na semifinal. Em 2018, foi desclassificada na primeira fase. Isso nas últimas três copas, sem contar a França, que também foi campeã em 1998 e desclassificada na primeira fase da copa seguinte, em 2002. Os jornais em seus países relataram os fracassos com frases que poderiam ser resumidas em uma só: “Eu não acredito nisso”.

Coincidência? Obra do acaso, do destino ou de alguma maldição? Não, não, isso não é obra do acaso, mas um fenômeno que é mais comum do que se imagina e não apenas com seleções de futebol.

Gosto muito de abrir os meus cursos sobre planejamento de carreira discutindo com meus alunos a definição de sucesso. No início, a conversa fica meio travada, como se debater isso fosse uma perda de tempo. “Ora, sucesso é sucesso! Pra que discutir isso?”. Na verdade, o meu objetivo é levar todos a uma compreensão óbvia, mas que muitos ignoram, de que sucesso é um estado momentâneo, um resultado de um objetivo alcançado. Nada mais que isso. Sucesso não é algo escrito na pedra e que dure para sempre. Aliás, ao longo de um dia, uma semana ou um ano, podemos ter vários sucessos e insucessos. Se elegemos um objetivo para um dia e o alcançamos, tivemos sucesso “naquele” projeto. Em outras palavras, se o sucesso depende de um objetivo e é momentâneo, não faz, para mim, nenhum sentido dizer que alguém “é” uma pessoa de sucesso, mas sim “está” naquele momento tendo sucesso em algo.

No caso das seleções de futebol, fica uma lição muito clara para todos nós e para as nossas carreiras. Chegar ao topo não significa o início de um estado permanente. Nestes casos, o mínimo que se esperaria de um time que foi campeão em uma edição era que chegasse forte na seguinte e fosse, pelo menos, para o mata-mata. Nos quatro casos, nem isso. Uma saída melancólica ainda na primeira fase. No caso da Alemanha, pior ainda, em último de um grupo que não tinha nenhum time muito expressivo.

Na minha visão, a jornada ao topo exige quatro posturas, duas antes e duas depois. No trajeto, temos que ter preparação e dedicação. Quando chegamos lá, duas coisas são igualmente necessárias e ignoradas por muitos. Humildade para reconhecer que aquilo é um estado transitório e não permanente; e atenção redobrada para manter o desempenho e os resultados que a posição exige. Vejo muitas pessoas atingirem posições de extrema importância em suas carreiras e acharem que podem relaxar. Parece que, ao chegar ali, ganhou uma posição vitalícia, intocável e sem riscos. E é exatamente neste momento, quando o excesso de confiança nos rouba concentração e humildade, o castelo desmorona. Excesso de segurança é péssimo até ao dirigir um carro.

Pois em tempos de copa do mundo, mais uma bela lição para você. Sempre que atingir um objetivo de carreira e quiser preservar a posição alcançada, nunca ache que aquilo é para sempre e nunca descuide da entrega de resultados e do foco no desempenho. Muito pelo contrário, quando chegar lá, redobre a atenção, o cuidado e a concentração.  Até o próximo!