Artigo 386 – Ditados e sua carreira – Consequências

“Quem tem medo de fogo, fique longe da cozinha ”

 

Oh, Minas gerais! Além de uma terra linda, de culinária riquíssima, overdose de cultura, história e povo gentil, ainda nos premia com vários ditados. O de hoje, mais mineiro impossível, diz que quem tem medo de fogo deve ficar longe da cozinha. Tão simples e tão verdadeiro. Na carreira, então, cai como uma luva. Vejo todo dia casos de profissionais que que cometem o erro básico de analisar uma perspectiva de carreira apenas olhando para um lado da moeda. O resultado? Uma frustração tremenda e, às vezes, irreparável.

Pense um pouco e me apresente algo, na carreira ou na vida em geral, que só tem o lado bom. Conte-me algo que só nos traga coisas boas ou só coisas ruins. Algo que nunca tenha dois lados, ônus e bônus, pontos fortes e fracos, vantagens de desvantagens. Se você me contar, prometo sugerir seu nome para a próxima lista de prêmio Nobel de alguma coisa.

Já escrevi aqui pontualmente sobre alguns deles e hoje listo, nesta série, alguns dos mais comuns:

1 – Querer virar empresário e ter a “segurança” de um emprego formal: criar e administrar uma empresa significa correr riscos, trabalhar mais (muito mais!), não ter salário fixo, variável, inúmeros benefícios (pelo menos até o negócio dar certo), não ter férias, 13o salário, entre outras renúncias. Este é o preço a se pagar. Não existe mágica. Quem quiser ter tudo isso, não empreenda.

2 – Trocar uma empresa grande por uma pequena e não querer ampliar o escopo de trabalho: Em uma empresa grande (já trabalhei em quatro), um profissional tem mais estrutura, mais pessoas para executar tarefas mais simples, como pagar um boleto ou comprar uma passagem aérea e mais assessoria. Em empresas menores, temos que fazer mais coisas, e muitas que não combinam às vezes com o cargo que ocupamos. Em startups, então, dependendo do caso, temos até que limpar a nossa mesa de trabalho e descartar o nosso lixo.

3 – Querer ocupar cargo de gestão e não querer resolver problemas:Quando assumimos um cargo de gestão, os problemas aumentam, em número e tamanho. “Ninguém” da sua equipe entra na sua sala para te convidar para um chopp. É sempre um abacaxi para descascar. Em cargos de gestão ganhamos mais, temos mais status, poder e liberdade, mas a responsabilidade triplica e o riscos também. Portanto, ao querer ocupar um cargo de gestão temos que ter duas coisas: consciência do que está por vir e preparação (técnica e comportamental) para resolver problemas.

4 – Parar de estudar e querer ter sucesso na carreira:a maioria dos conhecimentos hoje tem prazo de validade. A velocidade com que tudo muda nos obriga a estudar e se atualizar permanentemente. Quem não gosta de estudar sempre ou não quer pagar o preço (tempo, dinheiro e energia) para se manter atualizado, esqueça grandes saltos na carreira. O que chamo de Educação continuada é hoje uma das primeiras coisas avaliadas em entrevistas de emprego.

Pois bem, poderia citar outras, mas fico nas quatro que considero mais comuns. Um monte de clichês e obviedades para reforçar esse ditado mineiro que adoro e que muito nos ensina. Ter consciência e conhecimento profundo do que os nossos desejos significam e nos trarão de ônus e bônus é como saber que na cozinha tem fogão, tem fogo, tem forno e isso esquenta o ambiente. Não adianta querer passar horas em uma cozinha que está bombando e não sentir calor. Pior ainda é ficar reclamando que está calor na cozinha depois que entrou nela. Isso é, além de incoerência, o caminho mais rápido para a frustração. Até o próximo!