Artigo 389 – O novo presidente e a sua carreira

“A vida segue e nós também”

 Não me recordo, desde o impeachment do Collor em 1992, quando tinha 21 anos e estava concluindo minha vida universitária, de tanto envolvimento e tanto debate em torno de um processo eleitoral. Confesso que acho, como sempre disse aqui, uma maravilha este nosso mundo conectado, onde todos têm voz, podem defender suas ideias e influenciar muitas pessoas. A conectividade, no entanto, é como uma faca. Ela serve para passar manteiga no pão, mas também, com ela, pode-se matar uma pessoa. Depende sempre da mão que a usa.

Recentemente, um amigo fez um post muito inteligente e do qual gostei muito. Ele dizia que as pessoas deveriam se preocupar menos com o cargo de presidente e mais com o congresso, pois no nosso país, assim como em todas as repúblicas democráticas, o rumo não é dado por uma única pessoa no cargo de presidente. No final do dia, não é o presidente que vai resolver as coisas em um passe de mágica, mas o conjunto das forças do congresso (câmara e senado) que irá aprovar as leis e os bons projetos. Estes sim podem sair de um grupo restrito de pessoas. Mas sem um congresso de alto nível, pouca coisa efetiva acontece.

Ao ler este post, imediatamente pensei em uma outra entidade que pode fazer a diferença nos próximos 4 anos – você. Pois é, tenho defendido arduamente que o nosso destino e, por consequência, o destino dos que nos cercam, depende fundamentalmente do que nós fizermos. Sim, há muita variável incontrolável na nossa vida e nunca as neguei. É claro que o novo presidente e o novo congresso podem nos impulsionar ou nos atolar ainda mais, mas sigo defendendo que o nosso destino está mais na nossa mão do que na mão dos outros. Tem muita gente que conheço e que, se usasse a metade da energia que coloca nas redes sociais defendendo este ou aquele no próprio desenvolvimento pessoal e profissional, estaria em outro patamar. É como se terceirizassem a responsabilidade do que vai acontecer na sua vida e na sua carreira ao eleito presidente, governador ou deputado. Além de irreal, é uma expectativa equivocada, na minha modesta opinião.

A partir de 01 de janeiro de 2019, o Brasil vai seguir a sua vida. Seja lá quem for eleito, vai ter que mostrar ao que veio, vai ter que negociar com o congresso e vai ser cobrado com unhas e dentes pelos que não o aprovaram. E nós, cidadãos comuns e do bem, vamos ter que levantar todo dia, trabalhar, cuidar dos nossos e seguir a vida. E só o que nos resta, além de ficarmos atentos e responsáveis em relação ao nosso país, fazermos a nossa parte para que o Brasil que se desenvolva.

Eu sigo otimista em relação ao futuro próximo do Brasil. Acho que temos bases sólidas de democracia e estamos em um contexto muito novo, o qual ninguém sabe ainda explicar bem, de poder nas mãos de muitos. Quem tem um celular hoje na mão tem um poder que, repito, às vezes nem sabe como usar. Acho que, assim como em todas as eleições, quem chega quer logo apresentar resultados e conquistar inclusive os que não o elegeram. Além disso, uma boa renovação ocorreu, pelo menos no senado. Em outras palavras, tem gente nova no pedaço, querendo melhorar o país.

O que vou fazer e recomendo aos meus é o seguinte: vou seguir trabalhando forte e procurando me desenvolver ainda mais, nunca me acomodando ou terceirizando a responsabilidade pelo que acontecer com a minha vida ou com a minha carreira. Até o próximo!