Artigo 41 – Aprender a aprender

“Aprenda a aprender. Ou não vai chegar a lugar algum”
por Marcelo Veras | 05 de abr de 2012

Recentemente, em uma das minhas turmas do módulo de Competências empresariais e planejamento de carreira, um aluno me perguntou: - Professor, com tantas competências identificadas e mapeadas, qual delas vai ser a mais importante no futuro? A pergunta me desafiou. A resposta tinha que ser precisa. Uma pergunta dessa não pode ser respondida sem convicção. Após alguns segundos em silêncio, eu larguei essa: - Olha, Aristóteles, três séculos antes de Cristo, já defendia que não havia mais nada a ser inventado pelo homem e que, portanto, deveríamos nos dedicar apenas à filosofia. Com esta frase iniciei a minha longa resposta, que no fim, sintetiza-se na capacidade nós temos que ter de “Aprender a aprender”.

Não é preciso ser um bom entendedor de história para saber que o mundo, literalmente, se reinventa o tempo todo. Tudo muda. A cada dia uma nova tecnologia destrói aquela que imperava absoluta minutos atrás. A cada dia uma nova demanda social surge e uma “revolução” começa em algum lugar de um mundo que abriga mais de 7 bilhões de pessoas. A cada dia, nascem novas ideias, novos conceitos, novos produtores e novo criadores de ideias, conceitos e produtos. A frase clichê vale hoje como nunca: “A única certeza que temos é que tudo vai mudar”.

Lembro-me muito bem de quando fui convidado a deixar uma empresa de bens de consumo para ir trabalhar em uma operadora de telefonia móvel que acabara de iniciar suas operações no Brasil. Quando o convite surgiu, fruto de uma indicação de um amigo de MBA, logo pensei: - Meus Deus, não entendo nada de telefone celular. Mal consigo programar a minha secretária eletrônica. Mas, por alguma razão que na época eu não sabia explicar, senti-me como se estivesse puxado por um ímã. E fui. Como um frio na barriga de dar dó, mas fui.

Esta não foi a primeira e nem a última vez que a minha carreira literalmente recomeçou do zero, seja em uma mudança de empresa, seja de área ou até mesmo de segmento de mercado. A cada mudança, um novo desafio. Novas pessoas, novos processos, novas culturas, novos produtos, novos perfis de clientes. Tudo ali, ao mesmo tempo, me desafiando a entendê-los, aceitá-los e conquistá-los. E diante de tanta mudança, o desafio do aprendizado era constante.

Infelizmente, o nosso sistema de ensino ainda não enxergou isso. Na minha visão, este deveria ser o pano de fundo de qualquer projeto pedagógico, em qualquer nível. Ensinar e preparar, acima de tudo, os alunos a desenvolverem esta capacidade de aprenderem o que for necessário em cada momento da sua vida profissional.

No mundo corporativo, este é, na minha modesta opinião, o grande diferencial que um profissional pode ter. E concordo com o meu caro colega professor da ESAMC, Elcio Sotkeviciene, quando postula na sua palestra: - A pergunta que mais será feita aos profissionais em uma entrevista neste novo século será ”O que você fez nos últimos 6 meses para ampliar a sua fronteira de conhecimento?” Ele tem toda razão. Conheço alguns Head Hunters e já perguntei a todos o que mais incomoda ao analisar um currículo de um candidato. A Resposta é quase unânime: ­- Ver que o candidato está estagnado. Que não participou de nenhum programa / curso há muito tempo ou que não consegue deixar claro na entrevista que tem desenvolvido algum novo conhecimento recentemente.

E você? O que fez nos últimos 6 meses para ampliar a sua fronteira de conhecimento? Qual é o seu novo desafio de aprendizagem? O que vai fazer com ele? Encarar o fingir que não existe?

por Marcelo Veras
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