Artigo 42 – Diversidade cultural

“bola fora” tão grande ao ponto de comprometerem a sua carreira em uma empresa em questão de segundos. O velho ditado que diz que “uma imagem precisa de anos para ser construída e segundos para ser destruída”
por Marcelo Veras | 05 de abr de 2012

"O mundo é plano, mas o abismo existe para os desavisados"

Parte da frase acima é título de um belo livro escrito por Thomas Friedman (O mundo é plano. Ed Objetiva), que propõe uma nova reflexão sobre algo que todos sabem - a globalização deixou o mundo plano, integrado, com poucas fronteiras, conectado economicamente e culturalmente. Religiões, etnias, tendências sexuais, ideologias políticas... E o que é mais atual e interessante é que estão todas ancoradas na nossa vida pessoal e profissional. Nunca foi tão comum ver tantos profissionais sendo expatriados pelas suas empresas e indo viver em países com imensas diferenças culturais. Empresas nacionais se internacionalizando, fazendo com que seus executivos tenham que se relacionar com pessoas do mundo inteiro. Clientes e fornecedores globais. Assim é o mundo hoje e assim será por muito tempo.

Agora imagine a cena a seguir. Um executivo de uma multinacional, jovem, inteligente, reconhecido pelos pares e pelos chefes como alguém de grande potencial. Num belo dia, foi convidado para um jantar de negócios da empresa. Na mesa, ele, o chefe, o chefe do chefe e outras pessoas. Ou seja, uma oportunidade única para consolidar mais ainda a sua imagem de Hight Potential, já que palcos como este são raros e não podem ser desperdiçados. Lá pelas tantas, sem nem ter bebido além da conta (para não imputarmos a culpa no pobre coitado do vinho), ele resolve soltar uma piada de gosto questionável sobre gays. Todos riem, mas duas pessoas em particular soltam aquele sorrizinho de conveniência. Imagine logo quem.

Bom, o resumo da ópera é o seguinte. Ele não sabia, mas o chefe do chefe era homossexual. Já havia até sido casado, tinha um filho, mas mudou de orientação sexual anos atrás e vivia atualmente com outro homem. A minha pergunta: O que você acha que aconteceu com este cidadão? Vamos e convenhamos, ninguém precisa ter mais de três neurônios para concluir que a carreira dele nesta empresa virou pó. E eu só tenho uma coisa a dizer: Bem feito!

Esta é apenas uma, de inúmeras histórias que ouço dos meus alunos, colegas e amigos, sobre pessoas que, por descuido (ou será burrice mesmo?), conseguem dar uma não deve ter sido objeto de estudo dessas pessoas. O mesmo enredo poderia ser contado simplesmente trocando o tema da piada. Poderia ser sobre uma determinada religião ou sobre determinada raça. Se a pessoa em questão desse o azar de pegar um ouvinte envolvido de alguma forma no tema da piada, o fim seria o mesmo.

Neste e no próximo artigo quero tratar de mais uma competência comportamental que apareceu na nossa pesquisa com líderes empresariais, a Consciência e Diversidade Cultural. Ela apareceu na pesquisa com unanimidade, talvez por uma razão única, já explicada na frase “O mundo é plano”. A definição dos líderes empresariais para ela foi: Conhecimento, respeito e convivência com as diferenças, de forma profissional e produtiva. Mais direta, impossível.

Pense nesta semana sobre as seguintes questões: Qual é o seu nível de conhecimento sobre outras culturas, religiões, orientações sexuais, etnias etc? Quais são os seus preconceitos? Por que eles existem? E se você tiver que trabalhar um dia com alguém de uma "tribo" diferente da sua? Como lidará com isso? Como você pode se livrar de cometer um erro como o citado na história acima?

por Marcelo Veras
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