Artigo 55 – Pessoas centralizadoras

“oceano azul”
por Marcelo Veras | 25 de abr de 2012

"Quem não sabe delegar, não pode liderar nada e nem ninguém"

O Brasil mudou muito nos últimos 20 anos. Desde a abertura econômica de 1990, a enxurrada de produtos e empresas estrangeiras que chegaram aqui na terrinha foi grande. Produtos melhores pelo mesmo preço e produtos iguais por preços inferiores fez com que as empresas brasileiras, que gozavam de um baseado em altas tarifas de importação e que estavam com teia de aranha de baixo do braço de tanta acomodação e letargia, dançaram. Muitas, sequer conseguiram reagir em tempo e sumiram do cenário competitivo. Outras várias, a duras penas, fizeram as suas reegenharias, Downsizings e outros modismos da época e estão aí brigando pela sobrevivência e pelo crescimento. As melhores empresas e com líderes mais qualificados, não só sobreviveram à invasão de produtos estrangeiros como também criaram asas e ganharam o mundo, através de projetos de internacionalização muito bem sucedidos.

No meio dessa confusão toda por redução de custos e otimização de seus recursos, níveis hierárquicos foram sendo dizimados e as equipes foram ficando cada vez mais enxutas. Eu mesmo trabalhei em uma empresa que, em cinco anos, reduziu 5 níveis, caindo de 13 para 8. Cada vez menos pessoas tendo que fazer cada vez mais coisas. Uma loucura. E assim segue até hoje. Quando se acha que não dá mais para cortar nada, sempre aparece alguém que enxerga uma oportunidade de redução de pessoas. E o trabalho só aumenta. Este é o mundo competitivo. Ai se as empresas públicas brasileiras tivesse que competir e se seus funcionários pudessem ser demitidos para otimizar custos e serem mais competitivas! Seria divertido.

Com isso tudo, as (poucas) pessoas que compõem uma equipe hoje precisam, além de serem muito boas, competentes e comprometidas, ter mais autonomia e autoridade para fazerem o seu trabalho. Não há tempo hoje para se ficar validando com o “chefinho” tudo antes de fazer as coisas acontecerem. As pessoas precisam ter boas diretrizes, bons indicadores e, na maioria dos assuntos, precisam ter carta branca para decidirem e implantarem os projetos. É óbvio que, num cenário desses, algumas decisões serão erradas. Mas e daí? Será que é melhor tomar 100 decisões e errar 10 ou tomar 70 decisões e acertar todas? Na minha empresa, prefiro a primeira opção. Sem sombra de dúvidas, o precisosismo de querer tudo muito certinho e validado antes de acontecer, transforma qualquer empresa ou departamento em um paquiderme, que será engolido pelos seus concorrentes.

Portanto delegação é a palavra de ordem. Se a equipe é boa e competente, tem que ter autonomia e muita autoridade. Se quem tem que dar isso (o líder) não o faz, de duas, uma. Ou a equipe não é boa o suficiente, ou o líder é um centralizador. Nos dois casos, a culpa é dele mesmo. Ou não tem competência para montar uma equipe forte e que possa ter autonomia ou não tem a competência de delegar, por medo, insegurança ou qualquer outra mazela. E se líderes desse tipo existem e permanecem gerenciando desta forma, a culpa é do chefe do líder, que não tem coragem de demitir esta pessoa ou não tem uma boa visão do estrago que está fazendo ao manter uma liderança que não sabe delegar. E, por fim, esta empresa ou departamento não está preparado(a) para os novos desafios do mercado.

Se você é líder, mesmo que de uma ou duas pessoas, pare e analise como está a sua capacidade de delegação. Converse individualmente com seus subordinados e peça uma crítica em relação a isso. Pergunte se a pessoa se sente com autonomia para trabalhar ou se ela se sente travada em função de alguma postura centralizadora sua. Se a resposta for sim, mude. E mude rápido, porque caso contrário você não irá longe como líder. Porque líder sem capacidade de delegar, não é líder.

por Marcelo Veras
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