Artigo 8 – Leis Irrevogáveis

Preço é algo que alguém está disposto a pagar”
por Marcelo Veras | 30 de mar de 2012

Eu não sou advogado, mas sei que as leis nascem e, um dia, “morrem”. Em termos técnicos, são revogadas. Normalmente porque ficam defasadas e não representam mais os anseios da sociedade (ou de alguns poucos beneficiados por elas). Por isso são revogadas e substituídas por novas leis, mais modernas e alinhadas com o seu tempo.

Uma das maiores queixas que ouço hoje de quem está no mercado de trabalho é que a vida está mais dura. Mais difícil. Parece que nunca o que se faz é suficiente. Cada dia se exige mais e mais. E quem não entrega cada vez mais, se dedica cada vez mais e trabalha cada vez mais, acaba “dançando”. Uma crueldade, na visão de muitos.

Eu não estou aqui para resolver este problema contemporâneo. Aliás, ninguém tem condições de resolvê-lo. Mas quero ajudá-lo(a) a entender melhor a sua essência. Não dizem por aí que “entender” um problema representa metade do caminho para a solução? Então vamos lá. Entender este fenômeno é muito simples. Basta entender que na vida existem leis irrevogáveis. Ou seja, leis que não morrem nunca. Leis que têm vida eterna.

Vamos começar por uma bem simples e que todos conhecem. A lei da gravidade. Quem ousar duvidar desta lei algum dia vai se dar muito mal. Nunca pule de um prédio de 8 andares, porque a sua velocidade irá aumentar em 10 m/s a cada segundo e você vai ver que ela funciona, mesmo sendo a última coisa que vai fazer na vida. É engraçado, mas acho bacana a gente não perder a noção de coisas que são óbvias.

Outra lei que merece destaque aqui é a terceira lei de Newton, a lei da ação e reação. Ela diz que a toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário. Na física, há até experimentos simples que podem tangibilizá-la. Eu, como engenheiro, vi e comprovei. Na vida, o seu efeito é claro. Quem dá coisas boas, recebe coisas boas. Quem faz o mal, recebe-o de volta. Mais cedo ou mais tarde, todas as contas são pagas e todos os investimentos são compensados. A contabilidade da vida é impecável. Ativo e passivo batem na quinta casa decimal. Só não vê quem não quer.

E a questão da vida dura? Da crueldade da competição atual na carreira? Como fica? Que lei explica? A Lei da oferta e da procura. Esta famigerada lei que dita o preço das coisas. Mais uma que está aí desde que o macaco desceu das árvores, começou a andar em pé e se organizar em sociedade. A Lei da oferta e da procura! Ela reza que o valor de algo depende, além da sua utilidade, é claro, da sua escassez. Quanto maior a oferta de um “produto”, menor o seu valor. Quanto menor a sua oferta, maior o seu valor. Uma coisa vale mais quanto maior for o seu poder de se tornar importante e escassa. Para 1 Kg de diamante passar a custar menos do que 1 Kg de banana, basta alguém achar uma mina do tamanho do estado de Alagoas. Acaba o encanto na hora com esta “rara” pedra.

Na década de 1970 a quantidade de profissionais com curso superior e com qualificação era infinitamente inferior à de hoje. O meu pai uma vez me contou que a disputa pelos formandos era insana. Quase como se as empresas fossem para a porta de saída da cerimônia de formatura para disputar os “poucos” formandos a tapas. Eis a lei da oferta e da procura em ação. Pouca gente qualificada, valor alto para os poucos felizardos.

Hoje, a quantidade de profissionais qualificados no mercado, com formação acadêmica, qualificação técnica e fluente em duas línguas é muito grande. O crescimento no número de instituições de ensino superior (hoje mais de duas mil), de oferta de vagas e maior acessibilidade às diversas classes sociais é igualmente espantoso. Isso fez com que a oferta deste “produto” chamado mão de obra qualificada aumentasse muito e, por consequência, o seu valor no mercado caísse na mesma proporção.

Não dá para culpar as empresas por isso. Até porque ninguém está imune às leis irrevogáveis. Não dá para dizer “Passo!”, como se fosse um jogo de cartas. Todos estão sujeitos, inclusive o seu chefe, que também está sendo cobrado cada vez mais. E se ele não entregar, “roda” também.

Tenho duas notícias. Uma boa e uma ruim. A ruim é que este cenário não vai mudar. E pode até piorar. A boa é que há uma saída para você não ir parar nessa vala comum e passar a ser cotado como uma commodity. Dá trabalho, mas há uma saída. E ela está escrita textualmente numa frase que ficou para trás neste artigo: “Uma coisa vale mais quanto maior for o seu poder de se tornar importante e escassa”. É aqui que você tem a sua única escada para sair dessa vala comum. Se transformar em alguém com diferenciais. Alguém com habilidades e competências que ninguém tem ou que você seja superior aos seus pares. Para descobrir que competências são estas, você precisará fazer uma longa investigação e terá que tomar decisões de investimento em você e na sua formação. O resultado, garanto, é extremamente compensador.

por Marcelo Veras
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