Artigo 80 – Equilíbrio Emocional – parte II

“escalar”
por Marcelo Veras | 15 de out de 2012

 "Nunca decida nada com os batimentos cardíacos acima de 150” 

Conforme prometido, aqui estou para complementar a minha visão sobre a competência Equilíbrio Emocional, deixando uma importante dica para quem quer se ver livre de decisões erradas, tomadas com a cabeça quente. Se você, assim como eu e muitos que conheço, já tomou uma decisão de cabeça quente ou disse algo a alguém nessa situação e se arrependeu amargamente, saiba que há solução. E esta está inspirada em uma história que ouvi há alguns anos, mas que a memória me falha para contar maiores detalhes e dar o crédito a quem me contou.

A história relata que em um determinado exército havia uma regra clara e explícita sobre problemas entre superior e subordinado. Todos nós sabemos que não há nenhuma instituição onde a hierarquia é tão séria e respeitada como em um exército, não é? Pois bem, neste caso, se um militar tivesse algum problema com o seu superior imediato e não concordasse com a sua decisão, ele poderia o assunto, ou seja, procurar o chefe do chefe para tratar do problema. Imagine a situação. Uma pessoa ir ao chefe do chefe para que este decida algo quem não ficou bem resolvido entre os dois. Você já fez isso? Conhece alguém que fez? Ou, no mínimo, já teve vontade de fazer? Se sim, sabe dos riscos de uma atitude dessas. Eu já vi pelo menos 3 pessoas serem demitidas por fazerem isso em empresas que trabalhei. Para qualquer líder de equipe, isso é uma falha gravíssima e uma demonstração de insubordinação imperdoável, por mais que se tenha razão.

A única condição, segundo a história deste exército, para que o militar escalasse o problema era que, entre o momento do impasse com o seu superior e o ato de procurar o nível acima, houvesse um intervalo de 48 horas. “Apenas” isso, 48 horas. Agora, caro leitor, responda a seguinte pergunta: - O que existe, obrigatoriamente, entre 48 horas?  A resposta: 2 noites de sono. O que será que está por trás disso? Pense um pouco...

É neste detalhe que mora a inteligência desta regra, que ficção ou verdade, me fez pensar que esta é a única forma de fugirmos dos arrependimentos quando tomamos uma decisão de cabeça quente. Todos nós sabemos que, quando o sangue ferve de raiva, a visão fica turva. Perdemos o bom senso e agimos movidos pela emoção. Com o sangue quente, a nossa capacidade de avaliação do problema em si e das consequências de uma decisão errada, fica extremamente comprometida. Se decidir com qualidade é sempre um desafio, decidir com qualidade de cabeça quente é impossível. Ou seja, fazer qualquer coisa que seja com os nervos à flor da pele só dá em uma coisa: decisão errada.

Por isso tenho defendido a ideia de que cada um de nós deve desenvolver a capacidade de perceber o momento em que a raiva está no comando. E, ao perceber isso, devemos acionar esta bela regra, ou seja, não fazer nada, não falar nada e não decidir nada. Uma das formas de identificarmos este momento é através dos batimentos cardíacos. Não estou defendendo que cada um passe a andar com um medidor de frequência no peito. Não é isso. Mas todos nós sabemos e nos conhecemos o suficiente para saber que o coração esta palpitando mais rápido (provavelmente passando dos 100 batimentos por minuto) em função de uma sobrecarga de pressão ou de algo que nos tirou do sério. É neste momento que devemos parar e não fazer nada.

Pense nisso durante esta semana. Concentre-se no seu corpo, na sua mente e aprenda a identificar esta fronteira. Quando ela chegar, saia, dê uma volta, respire fundo, grite, abrace uma árvore... e depois volte a discutir o problema com quem quer que seja. Se puder ter uma ou duas noites de sono neste processo, melhor ainda. O importante é nunca agir sob o domínio da raiva e da emoção. Guarde isso para outros momentos da vida. Na carreira, não ajuda em nada. Até o próximo!

por Marcelo Veras
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