Artigo 87 – Criticar é fácil

“bofetadas”
por Marcelo Veras | 03 de dez de 2012

"Criticar é fácil. Quero ver fazer”

Com certeza me considero uma pessoa crítica. Não gosto de engolir nada sem antes mastigar bem. Por isso quero sempre entender bastante um assunto antes de emitir opiniões, mas tendo sempre a achar que as coisas podem ser melhores do que são. Portanto, sempre tenho uma sugestão a dar ou crítica a fazer, até para provocar (no bom sentido) o meu interlocutor. Isso é um pouco de mania de professor, que quer sempre provocar as pessoas para que elas cresçam e pensem no que estão fazendo. Esta característica em mim já foi mais acentuada, até que um dia percebi, em uma situação bem pontual que nem vem ao caso, que passei da conta nas críticas. Dali em diante, passei a ter um pouco mais de cuidado ao fazer críticas e isso me ajudou bastante na carreira e na vida.

Fazer críticas é bom. Pessoas que acham que tudo está bom como está passam uma imagem de acomodação. Pessoas que concordam com tudo chegam a ser desinteressantes. Pense bem. Deve ser muito chato conviver com alguém que não nos critica nunca ou que acha que tudo o que fazemos é lindo e maravilhoso, não acha? Eu acho. No fundo, queremos levar algumas de vez em quando. Pessoas que nos criticam, na dose certa e na hora certa, nos fazem crescer. Já pensou em se aconselhar com alguém que não enxerga ou coloca nada diferente do que já está na sua cabeça? Que não faz nenhuma pergunta provocativa? Precisamos, em determinados momentos, que nos mostrem novos caminhos, novas visões de um mesmo problema. A crítica serve fundamentalmente para nos fazer pensar e crescer. Desejo que os meus amigos continuem sempre me dando algumas pauladas de vez em quando.

Mas tem gente que faz da crítica a sua roupa íntima. Vive dia e noite com ela. São pessoas que não concordam com nada, não acham nada bom e só abrem a boca para reclamar. Você conhece alguém assim? Se ainda não conviveu, no trabalho ou na vida pessoal com alguém com estas características, prepare-se porque este dia vai chegar. E você verá que é muito chato. Muito chato.

Já constatei e defendo a ideia de que pessoas com esta característica são assim por dois motivos: Ignorância ou Medo. Ignorância no sentido de que muitos criticam coisas que aparentemente são fáceis, mas que no fundo só são fáceis aos serem analisadas de fora. Por exemplo, vejo muitos profissionais que criticam fortemente seus chefes por coisas (“simples”) que estes deveriam fazer e não fazem. Porém, ao chegarem a uma posição de liderança, percebem que há coisas que não são tão elementares como se imaginava. Portanto sempre recomendo aos meus alunos que antes de criticarem seus chefes façam o exercício de empatia, ou seja, de tentarem se colocar no lugar dele(a) para entenderem melhor que nem sempre as coisas não acontecem por falta de vontade ou incompetência.

O outro caso é bem pior e reúne os críticos de plantão que mais estão no topo da chatice. São aquelas pessoas que criticam por puro mecanismo de defesa, ou seja, para esconderem a sua real limitação de execução. Elas criticam por criticar. Criticam tudo e todos. Mas no fundo não fazem nada. Este caso é terminal. Não tem solução. Alguém que critica, critica e não faz nada para mudar o que ele mesmo critica é o pior tipo. Só nascendo de novo. O interessante dessas pessoas é que se perguntarmos, após a sua crítica, qual é a sua sugestão, elas ficam caladas ou falam uma bobagem enorme. Ou seja, não possuem ideias consistentes, sugestões robustas e muito menos capacidade de execução. Ficam ali, resmungando sem saírem do lugar.

E você? Como anda o seu nível de críticas? Será que, mesmo em alguns momentos, você não está cometendo um dos erros acima? Fique atento a isso. Busque um equilíbrio e procure sempre fazer críticas construtivas, embasadas e com propostas de solução. Até o próximo!

por Marcelo Veras
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