Artigo 93 – Arrogância pode custar caro

“pleno emprego”
por Marcelo Veras | 14 de jan de 2013

"O mundo dá voltas. Nunca feche portas”

Recentemente foi divulgada a taxa de desemprego no Brasil. Um recorde positivo desde que o índice foi criado. Esta taxa, inferior a 5%, é considerada por muitos analistas como , ou seja, praticamente todo mundo está empregado e este pequeno percentual representa aqueles que estão em transição entre um emprego e outro. Uma ótima notícia, mas que suscita uma questão importante.

Eu tenho acompanhado, mesmo que qualitativamente, este aquecimento do mercado nos últimos anos. Praticamente todos os meus alunos de MBA estão empregados e muitos destes sendo assediados com certa frequência. Amigos meus que estão em posições importantes e necessitando de mão de obra qualificada vivem reclamando que está difícil contratar. Os profissionais de RH estão perdendo o sono para criarem estratégias de retenção, porque os talentos estão sendo assediados de forma bem agressiva. Dentre todas estas conversas que tenho frequentemente com pessoas do mercado, ouço uma crítica cada vez mais recorrente. Alguns profissionais que estão empregados, ao serem contatados e convidados para uma entrevista, simplesmente recusam. Dos que aceitam, alguns, pelo fato de estarem empregados e satisfeitos com suas posições atuais, adotam uma postura arrogante na entrevista. Alguns chegam a demonstrar até desinteresse durante a conversa. Além disso, tenho ouvido muita queixa sobre profissionais que, ao pedirem demissão neste momento de fartura, também são extremamente arrogantes. Alguns aproveitam até o momento do pedido de demissão para dizerem coisas que deveriam ter dito enquanto estavam empregados. Como se estivessem cuspindo no prato que comeram.

O meu conselho a você, caro leitor, é um só: Nunca faça isso! Pode parecer sem sentido, mas com a minha experiência de anos no mercado e tendo passado por 7 grandes empresas, posso garantir que o mundo é menor do que achamos que é. E tem mais, ele dá muitas voltas. Uma hora, estas pessoas que hoje posam de arrogantes vão precisar de portas abertas e terão problemas, muitos problemas. Se tem uma coisa que temos que ter sempre em mente é que nunca devemos fechar portas e tratar os outros de forma que não gostaríamos de ser tratados. Isso é burrice.

A todos os meus alunos sempre digo que nunca se deve recusar um convite para uma entrevista. Nunca. Mesmo que você esteja 110% satisfeito no seu emprego, eu acho deselegante e arrogante recusar um convite. No mínimo, será uma oportunidade para conhecer outro profissional do mercado, fazer contato e ter mais informações sobre as oportunidades que existem da porta para fora de onde você está hoje. E defendo também que deve-se adotar uma postura de extrema cordialidade durante esta entrevista. Deve-se fazer perguntas, deixar claro que está bem e satisfeito(a) onde está e contar sobre seus projetos e conquistas recentes. Mesmo que a oferta não seja atrativa e que você não mude de empresa, será mais uma pessoa que terá o seu contato e conhecerá as suas competências. Isso no futuro será de grande valor. O mesmo vale para o caso que citei sobre pedido de demissão com arrogância e desdém. Isso não ajudará em nada, pode fechar a porta desta empresa e, dependendo do nível de relacionamento do seu futuro ex-chefe com outras pessoas do mercado, pode fechar portas de outras empresas. Os profissionais se conversam e uma imagem de arrogância circula rapidinho por aí.

É isso. Aproveite esta época de mercado aquecido para incrementar a sua rede de contatos e dar visibilidade para as suas competências. Você só tem a ganhar. Até o próximo!

por Marcelo Veras
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